Grupo baiano lança o SuperGay

Batman e Robin, os heróis da tenebrosa Gotham City, foram usados como ilustração da nova coleção de cartazes lançada nesta segunda-feira pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).A dupla dinâmica, criada pelo americano Bob Kane na década de 30 para combater o crime, aparece abraçada, com a mensagem: "Heroísmo mesmo é lutar contra o preconceito."A nova versão dos heróis de Gotham City é da lavra dos artistas plásticos baianos Hector Salas e Valmar Oliveira, a partir de uma idéia do diretor do GGB Marcelo Cerqueira.Também integra o conjunto de cartazes uma versão de The Flash, correndo em pose de bailarino, um Hulk com piercing nos mamilos e segurando uma rosa vermelha, uma Mulher Maravilha masculinizada, um Super-Homem de olhar afetado e o SuperGay, novo super-herói brasileiro, com uniforme rosa e brincos, criado pelo GGB para ser um dos símbolos da luta em defesa dos direitos homossexuais."Nossa intenção foi usar os super-heróis para passar uma mensagem positiva contra o preconceito aos homossexuais", disse Cerqueira, especulando que, embora não seja explícito, o relacionamento de Batman e Robin sempre "deixou alguma coisa no ar" para os fãs."Talvez, o criador de Batman não tivesse a intenção de dar essa conotação, mas, involuntariamente, envolveu os dois em situações que nos permitem interpretar que pode haver uma relação homossexual entre os dois", disse, lembrando que esse suposto "romance" da dupla dinâmica caiu na "boca do povo" há muito tempo.Ao lançar a nova campanha, formada por cartões postais distribuídos gratuitamente na sede da entidade em Salvador, o GGB quis "evoluir" em relação aos personagens gays estereotipados que aparecem na televisão.O presidente do GGB, antropólogo Luís Mott, citou, por exemplo, o Pitbicha, do humorista Tom Cavalcante, que seria ofensivo aos homossexuais.Recentemente nomeado membro do Conselho Nacional Contra Discriminação, Mott disse que proporá uma perícia de especialistas para analisar o personagem Pitbicha com o objetivo de avaliar o quanto ele ajuda a ampliar a discriminação aos gays."Se concluirmos que ele é nocivo, vamos lutar para tirá-lo do ar", disse, achando que, se o personagem satirizasse os negros ou os judeus, teria sido aposentado.Cerqueira afirma não estar preocupado com as reações dos criadores de Batman e dos outros super-heróis, alegando que as novas versões deles são paródias usadas para objetivos humanitários (contra a discriminação homossexual) e sem fins lucrativos.O GGB gostaria de lançar a campanha também em outdoors, se alguma empresa ou empresários se interessarem em patrociná-la.

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