Grupo cometia erro de grafia e dava CNHs a deficientes

Escutas

O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2008 | 00h00

A máfia das carteiras nacionais de habilitação (CNHs), desbaratada no dia 3 do mês passado em operação de Ministério Público Estadual e Polícia Rodoviária Federal, expedia documentos até para motorista com grave deficiência física. Além de emitir 1.305 CNHs com 64 impressões digitais em Ferraz de Vasconcelos, o esquema escorregava ao registrar na carteira o nome do candidato diferentemente do estampado no RG.Uma escuta telefônica, em 5 de dezembro de 2007, revela a preocupação de Elaine Gavazzi, dona de auto-escola, após um idoso atropelar um homem na Rodovia Índio Tibiriçá. "Teve um grave acidente envolvendo um ?veinho?. A carteira é daqui de Ferraz e é da Xangai (auto-escola ). O defeito físico deu problema", avisou o investigador Aparecido da Silva Santos, o Cido. "Ele tem o pé torto", disse Elaine. "Ele tem o pé torto?", questionou Cido. O caso foi abafado com pagamento de R$ 5 mil de propina aos policiais rodoviários.Elaine passou apuros também com a emissão da CNH do analfabeto Joal que virou João, em 27 de novembro de 2007, e teve a carteira apreendida em Franca. "Foi instaurado um inquérito", avisou Cido, que lembrou a barbeiragem: "Viu, além disso, sabe o que aconteceu? O nome do cara é Joal", disse Cido. "Tava errado, né?", emendou Elaine.

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