Grupo de atiradores ataca presídio de Abadia e Beira-Mar em MS

Para a polícia, grupo queria resgatar alguns dos 158 presos ou realizar teste para medir reação da segurança

João Naves, de O Estado de S. Paulo ,

14 de abril de 2008 | 10h57

Um grupo ainda não identificado de pelo menos dez atiradores atacou no final da noite de domingo, 13, o Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Segundo o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Wilson Sales Damázio, foram disparados pelo menos oito tiros de fuzil de longo alcance, por volta de 23h30m (horário de Brasília), em direção ao presídio, provocando a reação imediata dos agentes penitenciários e a fuga dos atiradores. A troca de tiros durou cerca de 30 minutos. Na unidade, estão detidos os traficantes Juan Carlos Abadia e Fernandinho Beira-Mar, além de vários membros do PCC.   Os agressores chegaram até o pátio externo da penitenciária, depois de cortar os arames farpados da cerca que delimita a área do presídio, e de uma distância de 100 metros dispararam tiros com fuzis de longo alcance contra três das quatro torres de vigia. Ao revidar, os agentes utilizaram granadas, cujas explosões serviram inclusive para iluminar a área, de onde partiam os tiros em direção às torres.   Informações que deverão ser confirmadas pela Polícia Federal (PF), que procurou pistas dentro do presídio e nas matas que contornam os prédios, dão conta de que os invasores foram apoiados por dois carros, uma moto e um helicóptero que sobrevoou o local durante o tiroteio. A PF investiga duas hipóteses sobre o ocorrido, uma delas é a tentativa de libertar alguns dos 158 presos de alta periculosidade, e outra apenas um teste para medir a reação da segurança.   Durante a semana passada, o serviço de inteligência do presídio, identificou ameaças de um ataque ao presídio e já estava preparados para tanto, não sabendo quando seria o atentado.   O titular da Vara Federal de Execuções Penais, juiz Odilon de Oliveira, confirmou a utilização do helicóptero na orientação do bando. "Existem outras informações que ainda carecem de pesquisas, investigações, que devem ser concluídas durante os próximos 30 dias".   O magistrado explicou que todos os 158 penitenciados do Presídio Federal de Campo Grande, são de alta periculosidade, fato que não livra o lugar de outro ataque do gênero. Além de Beira-mar e Abadía, há também João Arcanjo, ex-bicheiro de Mato Grosso, Farouk Abdul Hay Omairi, citado em relatório americano como colaborador do Hezbollah, e Antônio Jussivan Alves dos Santos, o vulgo 'Alemão', um dos membros da quadrilha que acusado de ter assaltado o Banco Central em Fortaleza.   Segurança máxima   "Temos motivos de sobra para manter um estado de alerta máximo", ressaltou Odilon. O alerta, é extensivo aos as movimentações de Sandro Carvalho, 31 anos, preso pela Polícia Civil em Corumbá, no Pantanal, a 426 quilômetros de Campo Grande. A prisão aconteceu em julho de 2007 e atualmente cumpre pena na Penitenciária Estadual de Segurança Máxima de Campo Grande, por porte ilegal de explosivos, armas e tráfico de drogas.   O juiz disse que Carvalho ainda continua sendo suspeito como mentor de um plano frustrado, para resgate de criminosos encarcerados em estabelecimentos penais do Estado e da União. Na ocasião da prisão, o suspeito guardava em casa 60 quilos de dinamite, armas de grosso calibre, munições e um mapa indicando o local onde os explosivos seriam detonados, denominado "paraíso", que seria, segundo suspeitas levantadas, o Presídio Federal de Campo Grande.   Carvalho, ficou preso durante quase dois anos na Bolívia, acusado pelo assassinato da promotora de justiça daquele país, Mônica Von Borres, ocorrido em 2004, em Santa Cruz de La Sierra, que combatia rigorosamente o narcotráfico. Contou, quando foi preso em Corumbá, ter armado várias bombas, e apenas acionou um número no celular, para que o carro da vítima explodisse, matando-a instantaneamente.   Conseguiu fugir da prisão boliviana, depois que um caminhão carregado de tijolos, arrebentou a entrada da cadeia. Carvalho explicou que saiu correndo, atirando para todos os lados. Autoridades da Bolívia, disseram que a fuga foi um grande desastre, pois entre vários estragos o fugitivo deixou para trás sete pessoas mortas, que não tiveram nada a ver com a fuga.   O diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Wilson Sales Damázio, que está em Campo Grande, não quis comentar essa suspeita. Sobre o ataque disse que "foi uma reação precisa contra o bando, por parte dos agentes." "É muito difícil um resgate de preso desta penitenciária. O ataque não modificou nenhum ponto de segurança, tudo continuará igual. O assunto está encerrado no presídio. Vamos aguardar os resultados das perícias".   Atualizado às 16h50 para acréscimo de informações   (com Solange Spigliatti, do estadao.com.br)

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