Grupo de favela fecha Marginal

Moradores da Favela do Sapo protestam contra demolição de barracos marcada para hoje

Fábio Mazzitelli e José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

15 Julho 2009 | 00h00

Cerca de 250 moradores da Favela do Sapo, na Água Branca, zona oeste da capital, fecharam parcialmente a pista local da Marginal do Tietê no fim da tarde de ontem em protesto contra os critérios da Prefeitura para demolição de barracos - programada para começar hoje. A manifestação foi reprimida pela Polícia Militar, com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Não houve feridos. Localizada entre as Pontes da Freguesia do Ó e Julio de Mesquita Neto, ao lado da pista sentido Ayrton Senna, a favela está em área considerada de risco pela Prefeitura, segundo informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab). O local abriga 455 famílias. Os manifestantes disseram não concordar com as regras de indenizações e benefícios da Prefeitura para a desocupação. Algumas famílias reclamam que deixariam o local sem contrapartida. A subprefeita da Lapa, Soninha Francine, afirmou que cerca de 80 famílias que estão há mais de cinco anos na favela têm direito a atendimento habitacional. As demais seriam atendidas ou não, de acordo com critérios da Sehab. Apesar do protesto, o início da desocupação deve ser mantido para hoje, afirmou a subprefeita. A Defensoria Pública informou que vai entrar hoje com uma ação para tentar barrar a demolição. "Em princípio, a operação continua. Por experiências anteriores, não adianta adiar", disse Soninha. "Subiram muitos barracos novos na expectativa de ganhar dinheiro, fazendo especulação. Não é justo com as pessoas que já estavam lá. São elas (os novos moradores) que fazem o tumulto." O catador de papel Marcelo da Silva Alves, de 18 anos, participou do protesto. Ele disse que a Prefeitura não "está dando oportunidade aos moradores". A dona de casa Natália da Silva Santos, que tem cinco filhos e está grávida de 3 meses, também ajudou a bloquear a pista. "Saindo daqui não tenho para onde ir", contou. A Sehab, por meio da Assessoria de Imprensa, também atribuiu o confronto a "invasores". O protesto começou por volta das 17h30, durou meia hora e causou lentidão na pista local. De acordo com a PM, adolescentes tentaram montar uma barricada para interromper o tráfego. A PM deslocou 85 homens e um helicóptero para o local. Ninguém foi detido. A PM conseguiu impedir o fechamento da segunda faixa da pista. "Utilizamos armamento não letal, como bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, para conter aproveitadores que jogavam paus e pedras", disse o tenente-coronel Cláudio Miguel Marques Longo. A capital tem 1.632 favelas - 19 delas nas Marginais. A Sehab coordena a remoção das moradias em áreas consideradas de risco.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.