WILTON JUNIOR | ESTADAO
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Governo e Janot endurecem, e parte dos PMs volta às ruas no Espírito Santo

Ministro da Secretaria de Governo afirmou ontem não haver ‘a menor possibilidade’ de anistia aos policiais no Congresso e procurador-geral da República falou em federalizar crime de motim; Estado já indiciou 703 agentes

Marcio Dolzan e Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2017 | 17h37

VITÓRIA - Horas após o apelo de ministros para que a Polícia Militar voltasse ao trabalho e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter declarado que o crime de motim poderá ser federalizado, parte dos PMs começou a patrulhar, na tarde deste sábado, 11, o Espírito Santo. A maior parte dos policiais continuava aquartelada, mas, de acordo com Polícia Militar, 600 PMs voltaram às ruas, na Região Metropolitana de Vitória, após um chamado operacional realizado às 16 horas.

No fim do dia, a PM também utilizou helicópteros para retirar 70 policiais que estavam no Quartel Central e supostamente não conseguiam voltar ao trabalho por causa do movimento.

Por volta das 18 horas, pelo menos 50 PMs à paisana se reuniram na Praça Oito, no centro de Vitória. Suas fardas estavam nos batalhões, que continuavam cercados por mulheres de policiais, e eles aguardavam as ordens do comando. Os homens que tinham uniforme em casa saíram direto para as ruas.

Neste sábado, quatro ministros – Raul Jungmann (Defesa), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), Antonio Imbassahy (Governo) e o interino José Levi Mello do Amaral Júnior (Justiça) – desembarcaram em Vitória para uma série de reuniões na tentativa de colocar fim ao motim da PM, que completou oito dias. Desde o sábado passado, quando as mulheres dos policiais bloquearam os batalhões, impedindo os agentes de entrar e sair, 137 pessoas foram mortas no Espírito Santo, a população ficou aprisionada em casa, as ruas esvaziaram, ônibus deixaram de rodar e lojas foram saqueadas. Um acordo chegou a ser anunciado na noite de sexta-feira, 10, pelo governo estadual, mas na manhã de ontem nada havia mudado.

No início da tarde, o ministro da Secretaria de Governo afirmou não haver “a menor possibilidade” de qualquer movimentação política em favor da anistia dos PMs ser aprovada no Congresso Nacional. “Existem movimentações iludindo pessoas, como se fosse acontecer uma greve e não haver nenhum tipo de penalização. É muito importante deixar esclarecido: nós temos de manter a ordem e cumprir a lei”, afirmou Imbassahy. Na sexta, o governo capixaba já havia anunciado a abertura de indiciamento de 703 policiais e informado que o número seria ainda maior.

Mais tarde, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também estava em Vitória, divulgou nota em que dizia estudar a federalização do crime de motim em razão do “grave comprometimento da ordem pública”. Com isso, os casos passariam a ser julgados pelo tribunal militar da União, com “tramitação mais rápida e penas que costumam ser mais severas”, segundo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

Em alerta. O ministro da Defesa garantiu que o governo federal está monitorando a movimentação em todos os Estados brasileiros, com especial atenção para o Rio de Janeiro.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta.

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