Grupo invade obras do PAC e três morrem no Pavão-Pavãozinho

Funcionários da empreiteira OAS ficaram encurralados no escritório da empresa durante o intenso tiroteio

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

12 de novembro de 2008 | 14h03

Três supostos traficantes foram mortos e outros três ficaram feridos no final da manhã desta quarta-feira, 12, durante o cerco da polícia a homens que invadiram armados o escritório das obras do PAC, nos morros Pavão-Pavãozinho, na zona sul do Rio de Janeiro. O escritório, da empreiteira OAS, responsável pelas obras nas duas favelas, fica num terreno da Catedral Ortodoxa Santíssima Virgem Maria.     Veja também: Imagens do conflito entre moradores e policiais    Policiais tentam conter moradores que protestavam contra ação da Core e da Deat no morro Fotos: Marcos D'Paula/AE   Durante o cerco policial, cerca de 30 funcionários ficaram encurralados no escritório da empresa OAS. Muito abalados, eles foram retirados do local em seguida. Segundo relataram, o grupo estava no segundo andar do escritório quando homens armados de fuzis e pistolas invadiram a casa. A polícia notou movimentação suspeita, fez o cerco e houve intenso tiroteio, mas nenhum dos funcionários ficou ferido.   A Polícia Civil faz uma perícia no escritório da construtora. Durante a perícia, houve confusão, já que moradores protestaram contra a falta de informações sobre os mortos e discutiram com policiais. Uma adolescente com uniforme da Fundação para a Infância e da Adolescência (FIA) esmurrou uma viatura da polícia e foi repreendida por policiais e um homem foi detido por desacato.   Foto: Marcos D'Paula/AE   Em um dos acessos ao morro do Pavãozinho, uma viatura da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e uma da Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat) tiveram os vidros quebrados por moradores. Policiais civis efetuaram disparos para o alto para conter os protestos.   PAC e os problemas   Quando as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em favelas do Rio foram iniciadas, o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, fez questão de tranqüilizar seus moradores, temerosos de possíveis tiroteios entre a polícia e traficantes. Ele disse que os policiais não entrariam nas comunidades com o "espírito de procurar guerra".   No entanto, desde o início do ano foram registrados seguidos incidentes. Em agosto, uma troca de tiros entre policiais civis e traficantes do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho interrompeu os trabalhos. O mesmo ocorrera em abril. Na ocasião, Adalto do Nascimento Gonçalves, o Pit Bull, suspeito de chefiar o tráfico no Cantagalo, foi preso. Ele era vigia das obras do PAC no local e tinha até crachá com seu nome.   Antes, em março, fora registrado intenso tiroteio entre PMs e bandidos na Rocinha, justamente no dia em que os canteiros de obras do PAC começaram a ser montados. O conflito se deu dez dias depois de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Rocinha, para dar largada para o PAC no morro.   No mês passado, o secretário de Segurança Pública recomendou o adiamento da interdição, para obras, de dois quilômetros da Avenida Leopoldo Bulhões, no Complexo de Manguinhos, com o objetivo de preservar motoristas que teriam de dirigir por ali em baixa velocidade (eles ficariam expostos a assaltos).   (Com Roberta Pennafort, de O Estado de S.Paulo)   Texto alterado às 19h20 para acréscimo de informações.

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