Grupo invade prefeitura de Angra dos Reis em protesto

Pelo menos 90 pessoas, entre elas 30 crianças e adolescentes, invadiram hoje a sede da prefeitura de Angra dos Reis, no litoral sul do Estado do Rio, e mantiveram cerca de 50 funcionários reféns em protesto contra a revogação do decreto municipal que regulamentava o transporte alternativo na cidade. De acordo com a Polícia Militar, os manifestantes estavam com garrafas cheias de gasolina e ameaçavam incendiar o prédio, caso suas exigências não fossem atendidas. A invasão ocorreu por volta das 10 horas, quando o prédio foi aberto ao público. Motoristas de vans entraram acompanhados de mulheres e filhos e tomaram gabinetes, corredores e salas de reunião. Cerca de uma hora depois, os reféns começaram a ser liberados, mas os manifestantes mantiveram a ocupação, que só terminou às 18h30. Alguns reféns conseguiram escapar pulando de janelas do prédio. O Batalhão de Choque da Polícia Militar chegou à cidade no início da tarde. Antônio Pimenta, que seria o líder do movimento, exigia a presença do prefeito de Angra, Fernando Jordão (PSB), mas ele, segundo assessores, participava de uma reunião no Fórum do Rio de Janeiro. De acordo com Pimenta, havia 65 crianças, 120 homens e 48 mulheres no prédio, mas, de acordo com a PM, seriam 90 pessoas no total, entes elas 30 crianças e adolescentes. Delegados, negociadores e dois secretários do governo municipal passaram o dia tentando convencer os manifestantes a deixar o prédio. Às 17h30, o coronel Aloysio Guedes, da Secretaria da Segurança Pública, que coordenava a negociação com os motoristas, afirmou que não havia mais reféns e disse que em breve o protesto acabaria. O comandante do 33.º Batalhão da PM, tenente-coronel Manoel Câmara, afirmou que foram recolhidas garrafas com gasolina, supostamente levadas pelos motoristas. Segundo Pimenta, havia realmente garrafas com eles, mas seriam de guaraná. Uma representante do conselho tutelar local providenciou lanche para as crianças que foram levadas para o prédio e conseguiu a liberação de dois adolescentes cujas mães estavam do lado de fora do prédio. O centro de Angra foi interditado e a área da prefeitura, isolada. Moradores se aglomeravam nas ruas, em busca de informação. A cidade parou para acompanhar o caso. Segundo um policial militar do Batalhão de Choque, a corporação recebera ordens do secretário da Segurança Pública, Anthony Garotinho, para não invadir a sede da prefeitura. A preocupação maior era com as crianças.O motivo do protesto foi a revogação, no dia 5, do decreto municipal 2310, que regulamentava provisoriamente o transporte coletivo em vans e kombis na cidade. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o decreto era provisório e foi revogado porque a Câmara Municipal rejeitou um projeto de lei de autoria do executivo que regulamentava a atividade. Desde então, a prefeitura vem reprimindo o transporte alternativo com o apoio da PM. Segundo integrantes do movimento, o prefeito teria feito uma promessa durante a campanha eleitoral de legalizar o transporte alternativo no município. Ainda de acordo com os manifestantes, pelos menos 60 motoristas, 60 trocadores e 25 motoristas auxiliares - que trabalhavam em cooperativas da cidade - foram prejudicados pela medida e estão desempregados. No dia 16 de maio, o juiz Marcos Antônio Ribeiro de Moura Brito, da 2.ª Vara da Comarca de Angra, rejeitou o pedido de liminar feito pela Cooperativa de Kombis e Vans de Angra contra a decisão do prefeito. A prefeitura entrou na Justiça com pedido de reintegração de posse. Às 18h30, os manifestantes começaram a deixar o prédio, em grupos de dez pessoas. O coronel Guedes disse que ninguém seria preso, mas os motoristas deveriam comparecer posteriormente à delegacia para prestar depoimento.

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