Grupo islâmico propõe boicote a produtos americanos

Um grupo de fundamentalistas islâmicos propôs, nesta quinta-feira, o boicote a qualquer produto vindo dos Estados Unidos, durante o 15º Congresso Internacional dos Muçulmanos da América Latina e Caribe, realizado em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.A iniciativa, no entanto, ainda não tem o respaldo oficial dos organizadores do evento, que reúne representantes do mundo árabe no Brasil e em outros países, como Argentina, Líbano e Arábia Saudita.Segundo o presidente do Centro de Divulgação do Islã para a América Latina, xeque Ahmad Ali Saifi, uma posição oficial de boicote depende da aprovação de todos os líderes religiosos muçulmanos do Brasil, o que não deve acontecer durante o congresso."Não viemos aqui para tratar esta questão, mas acho que a decisão pelo boicote é legítima, ainda que tomada somente por alguns grupos. Em vários países do Oriente Médio isto já está sendo feito como forma de protesto à política opressora dos Estados Unidos", afirmou o xeque. O boicote, na sua opinião, deve estender-se a países aliados dos norte-americanos, como Inglaterra e Itália.Saifi acrescentou que tal boicote beneficia os produtos brasileiros tanto em território nacional como nos países árabes, para onde são exportados. Isso porque, segundo ele, o Brasil tem se mantido neutro nos episódios envolvendo os EUA e os países muçulmanos, como a guerra no Afeganistão.A idéia do boicote partiu do Comitê de Formação do Partido Islâmico Brasileiro, de Florianópolis. "Não podemos continuar enriquecendo aqueles que nos oprimem, e nossa maneira de protestar é não comprando seus produtos", disse Luigi Faraci, presidente do comitê e diretor do Núcleo de Estudos Corânicos.Segundo ele, a iniciativa deveria ser seguida também pelos não-muçulmanos. No documento apresentado, nesta quinta-feira, o comitê propõe o veto à Coca-Cola, ao McDonald´s, além de bancos, griffes e cigarros feitos nos EUA.O Congresso, iniciado nesta quinta-feira e com término previsto para sábado, se propõe a discutir "Islã contra o Terrorismo"."As pessoas que desconhecem o Islã ainda confundem muito terrorismo com legítima defesa. O que aconteceu nos Estados Unidos (11 de setembro) foi terrorismo. Mas o que acontece com os palestinos, por exemplo, é legítima defesa ", avaliou Jihad Hammadeh, vice-presidente do Centro de Divulgação do Islã.Ainda assim, Hammadeh disse que os atentados suicidas provocaram uma onda de solidariedade em relação aos muçulmanos. "A tragédia despertou uma curiosidade dos não-muçulmanos a respeito do Islã como nunca havia ocorrido antes, e houve inclusive muitas conversões depois disso", afirmou.Na noite desta sexta-feira, os debates serão realizados na mesquita Abu Bakr Assidik (Rua Henrique Alves dos Santos, 206, Vila Euclides, em São Bernardo do Campo), a partir das 20 horas. O fechamento do evento será no próximo sábado, na Câmara Municipal de SBC (Praça Samuel Sabatini, 50, Centro), também às 20 horas.Leia o especial

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