Grupo pôs TV a cabo ilegal para mais de 2 mil em SP

A polícia diz acreditar ter descoberto, se não a maior rede clandestina de TV a cabo do País, a mais ousada e sofisticada central pirata de televisão por assinatura. O flagrante aconteceu ontem na zona sul de São Paulo. Mais de 50 ruas do Jardim São Luís e Jardim Ibirapuera foram cabeadas ilegalmente pela empresa AJMS Telecom, que faturava com o esquema cerca de R$ 30 mil por mês. Estima-se que pelo menos 2 mil assinantes usavam o serviço irregular, de acordo com o Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (Seta). A adesão custava R$ 170 e cada ponto era oferecido a R$ 30. De acordo com a polícia, a empresa desviava há nove anos mais de 90 canais de operadoras legais.Os interessados nas assinaturas procuravam um salão de cabeleireiros, onde funcionava a área de vendas. A parte operacional e os equipamentos ficavam alojados no segundo andar de uma padaria. A emissora era conhecida como TV Bahia. Net, Sky e TVA teriam tido sinais usurpados, segundo Antônio Salles Teixeira Neto, presidente da Comissão Antipirataria da Seta. O prejuízo pode superar R$ 1,5 milhão por ano.Com evasão de receita em função da pirataria, o setor perde por ano R$ 200 milhões. "Não sei se podemos afirmar que se trata da maior já flagrada no País, mas, para nossa surpresa, é a mais bem instalada e equipada", disse o executivo. O flagrante foi feito por policiais da 6ª Delegacia Seccional e teve apoio do Seta. Três pessoas foram presas - A.L.J., de 48 anos, presidente da empresa, a secretária R.M.P., de 19, além de um técnico. Eles foram indiciados por furto e formação de quadrilha. O dono da empresa é acusado de receptação, pois foram encontrados equipamentos roubados.A fraude começou a ser descoberta quando policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG), liderado pelo delegado Paulo Pereira de Paula, receberam um folheto do serviço. O Seta foi procurado por policiais que queriam saber se a AJMS tinha licença da Agência Nacional de Telecomunicações."A empresa se passava por operadora de TV a cabo. Utilizava-se irregularmente de postes, energia elétrica e infraestrutura de outras companhias", explicou Salles Neto. Segundo ele, os fraudadores possuíam um headend - central de captação de sinais de satélite e de emissoras locais -, além de decoders para abertura de canais fechados. Foram encontrados 13 decodificadores digitais, 19 analógicos e 38 amplificadores. A origem dos equipamentos está sendo investigada. A polícia também quer saber se os golpistas contaram com a conivência ou assessoria de técnicos do setor. Segundo o sindicato, flagrantes desse tipo são comuns no Rio. Em São Paulo, o último ocorreu na zona sul, há um ano.

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