Grupo Silvio Santos agora quer pôr condomínios ao lado do Teatro Oficina

A Sisan Empreendimentos, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, quer construir dois condomínios residenciais de 28 andares no entorno do Teatro Oficina, na Rua Jaceguai, Bela Vista, centro de São Paulo. Caso a obra seja autorizada, os condomínios serão feitos no mesmo local onde o Grupo Silvio Santos tinha permissão para construir o Shopping Bela Vista Festival Center. A Sisan já entrou oficialmente com pedidos de consulta no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e no Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). O projeto detalhado do empreendimento só será apresentado na fase seguinte, caso os conselhos autorizem esse tipo de empreendimento no local. A disputa entre o Grupo Silvio Santos e o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa teve início em 1980, quando o empresário e apresentador quis comprar o terreno onde estava o teatro, vizinho do escritório de sua empresa. José Celso resistiu e iniciou uma mobilização para abrir o processo de tombamento do local, que ocorreu em 1983.Depois do tombamento, a disputa entre as partes passou a ser travada no entorno do local. O arquiteto Julio Neves criou um projeto para o Grupo Silvio Santos que previa a construção de um grande shopping no local, que ameaçaria completamente a idéia original da arquiteta Lina Bo Bardi para o Oficina.Feito com paredes laterais de vidro e teto retrátil, que garantem luz e ventilação natural no interior da sala, o teatro ficaria confinado e cercado pelo novo shopping, um centro de compras e lazer de oito andares, com direito a uma torre com vista panorâmica. Em 2000, pouco antes de começar a construção, nova mobilização de atores e intelectuais, além de questionamentos da Justiça - que apontavam a necessidade de respeitar 300 metros do entorno de prédios tombados -, provocaram o começo de conversas entre representantes do Grupo Silvio Santos e arquitetos dispostos a pensar em alternativas para o local. Em 2004, o arquiteto Marcelo Carvalho Ferraz, que já havia trabalhado com Lina, criou, em parceria com Marcelo Suzuki, um novo projeto para o local, que também acabou sendo recusado por José Celso Martinez Corrêa. "Nosso desejo é transformar o Bexiga em um local sem grades, com praças, para que haja a mistura de populações de diferentes classes. Não é construindo um shopping que iremos chegar a esse modelo", afirma Zé Celso.Com o impasse e diante do boom imobiliário dos últimos anos, a Sisan iniciou a consulta para tentar diversificar o negócio. O Estado tentou falar com Eduardo Velucci, da Sisan, mas não obteve nenhuma resposta.

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2008 | 00h00

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