Grupo tentou atrapalhar PF, indicam escutas

Para Polícia Federal, conversas gravadas mostram tentativa dos acusados de ocultar provas

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2011 | 00h00

MACAPÁ

As gravações telefônicas da investigação sobre o esquema de corrupção no Ministério do Turismo revelam a tentativa de seus integrantes, incluindo servidores da pasta, de atrapalhar o inquérito da Polícia Federal. "Pega todos os talões de notas, meu notebook, procura ver onde ele tá e guarda", diz o empresário Hugo Leonardo a Fabiana Lopes Freitas, em conversa no último dia 21 de julho. "Todos, vai pegar todos, todos", orienta, num diálogo dez minutos depois.

Os dois, segundo a investigação, trabalham na Sinc Recursos Humanos e Automação, uma das empresas de fachada envolvidas no esquema do Turismo. Para a polícia, o diálogo é "claro indicativo" de que o empresário estava "ocultando provas". Hugo Leonardo é um dos 35 presos pela Operação Voucher na terça-feira por ligação com fraudes no convênio entre o Ministério do Turismo e o Ibrasi. "Bota tudo dentro do carro, pega a maletinha dele e leva tudo lá pro Humberto", diz o investigado à funcionária.

Humberto, segundo a investigação, é Humberto Silva Gomes, que também estaria envolvido no esquema por meio da empresa Barbalho Reis Comunicação e Consultoria. Numa conversa com um interlocutor no dia 28 de julho, Humberto afirma: "Estão fechando o cerco. Já começaram as visitas".

Do outro lado da linha, uma pessoa não identificada pela PF responde: "Virgem Maria, então vai bater aqui também". "Telefone é proibitivo agora", reage Humberto. Esse comportamento dos investigados, segundo o Ministério Público , é um dos motivos que justificariam a prisão deles.

Plano de reação. As gravações mostram, por exemplo, que os funcionários do Ministério do Turismo sabiam que estavam sendo alvo de investigação e já planejavam como reagir. Numa conversa com uma colega, a funcionária identificada pela PF como Franscilaine diz que a diretora do Departamento de Qualificação e Certificação e de Produção Associada ao Turismo, Francisca Regina Magalhães Cavalcante, pretende responsabilizar o secretário executivo, Frederico Silva Costa, pelas irregularidades na pasta.

Regina, como é conhecida, e Frederico foram presos na terça-feira pela Operação Voucher. "Eu entendi bem? A Regina vai botar pra cima do Frederico?", pergunta Francislaine. Do outro lado da linha, uma pessoa, não identificada pela PF, responde: "Ela (Regina) veio para cá cedo, ficaram mais de uma hora lá falando. Aí na hora que ela abriu a porta: "Não, mas o Frederico sabia de tudo, tudo que a gente fazia era por ordem dele (...) Então tem que tomar cuidado"."

Franscilaine relata, numa outra conversa, que tem ajudado o assessor direto de Frederico Costa, Antônio dos Santos Júnior, a resolver os problemas dos convênios investigados pela PF. De acordo com a investigação, Francislaine atuaria no esquema, a mando do assessor do secretário executivo, para dialogar com as pessoas ligadas a convênios do Amapá, entre elas Wladimir da Silva Furtado.

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