Grupo usava 60 telefones para dificultar apuração

Somente o casal de promotores Leonardo Bandarra e Deborah Guerner se utilizava de 30 números distintos

, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2010 | 00h00

As investigações do Ministério Público Federal mostraram que o grupo de Leonardo Bandarra e Deborah Guerner, suspeitos de ligação com o "mensalão do DEM", utilizava 60 números de telefones diferentes. Era uma forma, segundo a denúncia, de garantir maior segurança ao esquema.

De acordo com a denúncia, o então procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, falava de nove telefones distintos, dos quais sete números de celulares. Deborah Guerner, apontada como seu braço direito no suposto esquema, usava 21 números de telefones distintos. Deborah chegou a reservar duas linhas apenas para conversar com o então secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa - que fazia a ponte do grupo com o governo José Roberto Arruda e depois se tornou o delator do esquema.

A investigação ficou marcada, ainda, pela descoberta de um "bunker" na casa de Deborah. Dinheiro e discos rígidos de computador foram encontrados enterrados no quintal da casa da promotora, no Lago Sul, em Brasília. Debaixo de árvores e atrás de cadeiras de piscinas, ela guardava dinheiro vivo embalado a vácuo e as imagens que comprometeram Bandarra.

Segundo a ação penal, ela e o marido, Jorge Guerner, haviam negado a existência de dinheiro escondido na casa. "Deborah Guerner e Jorge Guerner mentiram grosseiramente negando possuir cofres e compartimentos ocultos", diz a denúncia. O primeiro desses compartimentos ocultos era um "bunker", encontrado na área externa da residência.

As imagens descobertas pela Polícia Federal mostram ainda a existência de um compartimento na casa com o objetivo de esconder dinheiro. A investigação revela também que, no dia 29 de novembro do ano passado, na semana em que estourou o escândalo do "mensalão do DEM", Deborah e seu marido distribuíram dinheiro pela casa numa tentativa de ludibriar possível operação de busca e apreensão naquele período.

"Se eles acharem esse aqui num cofre, vou botar esse no cofre e esse no outro. Se eles acharem, pensam que a gente só tem esse dinheiro. E aí o que é que acontece? Eles não procuram mais nada. Entendeu o que eu tô falando? Ou não?", diz Jorge à mulher, Deborah, num diálogo gravado pelo circuito interno da casa deles.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.