Grupo vai parar Largo 13 contra as desapropriações do Metrô

147 imóveis serão demolidos para dar lugar à Estação Adolfo Pinheiro

Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

17 Abril 2008 | 00h00

Centenas de donos de imóveis da Avenida Adolfo Pinheiro e das ruas vizinhas, na região do Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, prometem interromper a circulação da via, uma das mais importantes da zona sul de São Paulo, ao meio-dia de terça-feira, em protesto contra as desapropriações de 147 imóveis pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Os donos dos imóveis consideram a desapropriação, para a construção da futura Estação Adolfo Pinheiro e extensão da Linha 5-Lilás, causará a "destruição" de grande parte do bairro, afetando diretamente o emprego de 7 mil pessoas. Um desses imóveis é um edifício de 800 metros quadrados que pertence à Santa Casa de Santo Amaro, onde funcionam o pronto-socorro e os ambulatórios de especialidades do centro médico. O prédio fica no número 256 da Adolfo Pinheiro, na frente do edifício principal do hospital. Em reunião na manhã de ontem, no Palácio dos Bandeirantes, a direção da Santa Casa pediu ao presidente do Metrô, José Jorge Fagali, e ao governador José Serra a reavaliação da desapropriação. GRUPO DE TRABALHO Ficou acertada a criação de um grupo de trabalho, que poderá até mesmo reestudar a área da futura estação. "Se o imóvel for mesmo necessário, pediremos uma compensação, como um edifício próximo", diz Danilo Masiero, diretor-superintendente da Santa Casa. Segundo ele, a área não poderá ser distante porque hoje muitos pacientes atravessam a avenida entre o edifício principal do hospital e a unidade de ambulatórios. Já circula na região um abaixo-assinado e uma carta aberta ao governador José Serra, contra as desapropriações. Segundo Regina Buttner, que é dona de um imóvel na área, onde funciona um escritório, haverá uma "descaracterização" do local se a estação for construída ali. "Nem o Metrô sabia que aqui tinha um ambulatório da Santa Casa e eles também não consideraram o grande impacto social que essa desapropriação vai causar por aqui." A área a ser desapropriada abriga também um supermercado que emprega 170 pessoas; uma empresa de Telemarketing com 3 mil funcionários; e uma das galerias de lojas mais antigas de Santo Amaro. Nesse local, 90 proprietários empregam cerca de 400 pessoas.

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