Grupos de extermínio aproveitam greve da PM no Brasil para atuar

Milicianos incluiriam policiais que atuam à margem da lei e ex-agentes

Efe,

11 Fevereiro 2012 | 12h51

 A greve iniciada em 31 de janeiro pela Polícia Militar no estado da Bahia (no Nordeste) permitiu o aumento de assassinatos perpetrados por grupos de extermínio, revelou neste sábado a imprensa.

O jornal "Folha de S.Paulo" divulgou declarações do diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil baiano, Arthur Gallas. Ele afirmou que "esses grupos estão se aproveitando da greve, que reduziu o patrulhamento, para limpar a área e matar os desafetos".

O agente confirmou que "há evidências" de que os chamados "milicianos", em sua maioria, policiais que atuam à margem da lei e ex-agentes, assassinaram 38 dos 157 mortos por homicídio nos 12 dias de paralisação policial na região.

A greve por melhorias salariais começou a perder força há dois dias quando 245 policiais que estavam desde a semana passada dentro da Assembleia Legislativa da Bahia, entre eles os líderes da greve, deixaram o prédio, que estava sob o cerco de 1 mil homens do Exército.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, agentes da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros decretaram pelo mesmo motivo greve por tempo indeterminado na madrugada de sexta-feira, a uma semana da abertura do Carnaval.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro, não foram registrados incidentes de gravidade no primeiro dia de paralisação e adesão à greve foi mínima entre os 70 mil membros das três instituições, que reivindicam reajuste de salários.

A baixa adesão diz respeito em parte à aprovação na quinta-feira na Assembleia Legislativa de uma antecipação do reajuste salarial de 39% aos policiais que estava previsto para outubro de 2013, embora os grevistas ainda queiram reajuste maior.

Para atacar o movimento, o comando da Polícia deteve 50 policiais que se negaram a trabalhar. O Comando da Segurança ordenou também a prisão dos 11 acusados de organizarem a paralisação, nove deles foram presos. A maioria dos detidos já está em liberdade, mas 17 continuam detidos à espera de decisão judicial.

A seis dias do início do Carnaval, que concentra precisamente no Rio de Janeiro e em Salvador, a capital da Bahia, o maior número de turistas, as autoridades intensificam as negociações para normalizar a situação e garantir a segurança da festa popular.

Em Salvador, que reúne em seu carnaval cerca de 2 milhões de pessoas e é considerada a maior festa de rua do mundo, foram destacados milhares de militares para reforçar a segurança. No Rio de Janeiro essa iniciativa foi descartada, por enquanto.

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