Grupos de sem-teto fazem manifestação em 5 Estados

Militantes do Fórum dos Cortiços ocuparam prédio do INSS, em SP; terreno na Av. do Cursino também foi alvo

Sérgio Duran e Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2008 | 00h00

Militantes sem teto da União Nacional por Moradia Popular (UNMP) ocuparam dois espaços em São Paulo, ontem, em protesto que se repetiu em capitais de outros quatro Estados. Novas ocupações estão programadas para hoje, uma delas na capital paulista, de madrugada.A movimentação começou pela manhã, quando militantes do Fórum dos Cortiços, entidade filiada à UNMP, invadiram um prédio do INSS na Rua Xavier de Toledo, no centro. A maioria dos sem-teto era idosa, pois o objetivo era chamar a atenção para a falta de moradia para essa faixa da população. Segundo Verônica Kroll, líder do fórum, após negociação, os manifestantes abandonaram o edifício pacificamente.Um terreno particular na Avenida do Cursino, na zona sul, foi invadido pelo fato de o local estar abandonado há anos. "Queremos a construção de moradia no terreno, que não cumpre a função social da propriedade segundo a Constituição Federal", disse Evaniza Rodrigues, da secretaria executiva da UNMP.CAMINHADAUma caminhada pelo centro de Salvador (BA) marcou a participação dos integrantes de movimentos de luta por moradia da capital baiana. Segundo a Polícia Militar, cerca de mil pessoas, do Movimento dos Sem-Teto de Salvador (MSTS), da UNMP e do Movimento Dois de Julho, participaram do protesto, que saiu do Campo Grande às 14 horas, passou pela sede do Ministério Público Estadual e foi concluído na frente da prefeitura, por volta das 18 horas.Segundo o coordenador do Movimento dos Sem-Teto de Salvador (MSTS), Ildemário Proença, a manifestação na capital baiana foi pacífica e reforçou a reivindicação do movimento nacional dos sem-teto pela construção de 1 milhão de habitações populares no País, além de cobrar da prefeitura a promessa, assumida no ano passado, de construção de 430 casas no bairro periférico de Pirajá e de expansão das redes de saneamento básico a áreas de invasão. "Queremos prazos concretos para a realização das obras", cobra Proença.Em São Luís (MA), cerca de 1.500 pessoas acamparam, ontem, na frente da Universidade Estadual do Maranhão, reivindicando a construção de moradia em terrenos vazios ao redor do campus. Em Vitória (ES), manifestantes da UNMP ocuparam um prédio vazio do INSS na Avenida Carlos Lindemberg. Em Maceió (AL), um ato foi realizado na frente da prefeitura, abrindo negociações para a retirada das famílias que ocupam uma área da Universidade Federal de Alagoas. Os manifestantes conseguiram suspender a reintegração de posse de um prédio do INSS ocupado desde 2006.Outros atos ocorreram em Belém (PA) e Diadema, na Grande São Paulo. "Há dinheiro para moradia parado no governo, mas essa verba não chega a quem precisa dela", disse Evaniza.

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