Reprodução Google Street View
Reprodução Google Street View

Após ataques e 11 mortos, Guararema tem ruas interditadas e comércio fechado

Tentativa de assalto contra bancos provocou explosões e tiroteio entre criminosos e policiais na cidade com 28 mil habitantes

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 10h21
Atualizado 05 de abril de 2019 | 11h16

SOROCABA – Os 28,3 mil moradores de Guararema, na região metropolitana de São Paulo, tiveram uma manhã de caos, nesta quinta-feira, 4, após o ataque de uma quadrilha que explodiu bancos, fez reféns e teve ao menos 11 integrantes mortos em confronto com a Polícia Militar.Um homem foi preso e levado para a delegacia de Guararema na manhã desta quinta-feira. Uma testemunha é ouvida pela polícia.

O autônomo Ricardo Custódio, de 49 anos, mora a duas quadras da agência bancária e acordou com o barulho de disparos.

"Parecia rojão, mas também achei que poderia ter sido a explosão de um transformador. Fiquei com medo de sair espiar."

O vigilante Henrique Gouveia seguia de bicicleta pela Rua Álvaro Campagnoli quando ouviu o barulho de uma explosão, por volta das 3 horas da madrugada.

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“Foi tudo em sequência, como em um filme. Depois das explosões teve um monte de tiro, depois o barulho de sirenes, mais tiros e muito barulho. Eu vi que havia movimento no calçadão perto do Santander e imaginei que fosse assalto.”
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Henrique Gouveia, vigilante

Gouveia se protegeu, mas viu dois carros entrarem “com tudo” na rua sem saída. “Vários bandidos desceram e foram para cima de um rapaz que trabalha de porteiro e o levaram para o mato. Depois eu soube que ele foi libertado.” 

O padeiro Antonio Daniel, que trabalha na panificadora Flor, chegava de Jacareí, cidade onde mora, por volta das 5 horas, e viu um cenário de horror. “Um monte de viatura, ambulância, gente correndo. As ruas estavam bloqueadas, tive que dar volta, mas deu para ver o Banco do Brasil estourado.”

Tentativa de assalto em Guararema atrapalha funcionamento local

Na cidade, algumas escolas não iniciaram as aulas no horário normal. De acordo com Aline Cristina de Faria, funcionária terceirizada da prefeitura, o transporte de alunos foi afetado e, sabendo do ataque, os pais não mandaram os filhos para as aulas. “Eu só fiquei sabendo de manhã, mas uma vizinha que mora em um sobrado, ao lado de casa, viu tudo.” Segundo ela, o departamento de trânsito interditou algumas ruas do centro por segurança.

Às 9h30, várias ruas do centro, entre elas a Rangel Junior, onde fica o Banco do Brasil, e a Major Paula Lopes, onde fica o calçadão e o Santander, estavam interditadas.

Em ao menos seis pontos, os criminosos lançaram 'miguelitos', pregos retorcidos para furar os pneus dos veículos em caso de perseguição. Uma viatura da PM teve pneus furados.

Parte do comércio continuava fechada. Algumas lojas anunciaram que só iriam abrir à tarde. A estrada de acesso à Pedra Montada, ponto turístico da cidade, também estava fechada. Foi ali que os policiais da Rota encontraram os criminosos em fuga. Só nesse local, sete suspeitos foram mortos. Dois carros deixados pela quadrilha estavam cheios de explosivos.

 

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