Guarda civil é executado a tiros por PMs em Osasco

Vítima foi ameaçada por grupo de jovens e assassinada logo depois com a chegada da Polícia

Daniela do Canto, do estadao.com.br,

14 de dezembro de 2009 | 02h58

O guarda civil Ataíde Oliva de Araújo, de 53 anos, foi morto com diversos tiros durante uma discussão com um grupo de jovens na noite deste domingo, 13, no Jardim Santo Antônio, em Osasco, na Grande São Paulo. Os principais suspeitos da execução são policiais militares da Força Tática do 14º Batalhão. Segundo o comandante da GCM de Osasco, Gilson Menezes, Araújo teve 17 perfurações pelo corpo causadas por pelo menos 12 tiros, um deles na cabeça. A assessoria de imprensa da PM foi contatada, mas ainda não se manifestou sobre o assunto. A esposa do GCM presenciou o crime.

 

Os dois caminhavam pela Rua José Lobo Neto quando se depararam com um grupo de cerca de quatro jovens, por volta das 20h20. Um dos jovens, conforme a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, é filho de um homem morto há aproximadamente dez anos pelo guarda civil. Na ocasião, o suspeito teria tentado invadir a casa de Araújo, no Jardim Santo Antônio. Ele atirou para se defender e impedir o assalto. Os jovens então teriam xingado e agredido o guarda. Menezes explicou que, aparentemente, Araújo sacou a arma para defender. Um dos suspeitos foi baleado no pé.

 

Quando a viatura com os quatro policiais militares chegou ao local, o guarda civil estaria com a arma na mão, o que, na opinião do comandante, teria ocasionado a reação da PM. "Foi um equívoco por parte da PM, que executou o nosso companheiro", disse Menezes. "Isso, para mim, é um despreparo absoluto", afirmou. Conforme o relato da mulher da vítima aos colegas de profissão do marido, ele já estava sem vida, caído no chão, quando foi atingido por um último tiro, na cabeça. Araújo chegou a ser socorrido ao Pronto-Socorro do Jardim Santo Antônio, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em seguida.

 

O caso foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Osasco, onde foi aberto um inquérito para investigá-lo. Um perícia deve ser realizada nas armas envolvidas - do guarda e dos policiais - para determinar quantos tiros foram disparados de casa uma e de onde partiram os disparos que atingiram Araújo e o suspeito. O delegado ainda vai investigar a participação de cada um dos integrantes do grupo de jovens e dos PMs no crime. Oficialmente, a PM ainda não se manifestou.

 

Conforme o comandante da GCM, que esteve na delegacia, a versão dada pelos policiais militares envolvidos na ocorrência teria sido de que Oliva atirou contra a viatura da corporação. "Um guarda nessa situação nunca faria isso", afirmou.

 

Perfil

 

Uma pessoa muito querida, prestativa, madura e responsável. Foi assim que o comandante da GCM de Osasco definiu o guarda civil Araújo. "Ele sequer tinha faltas ou atrasos", revelou. "Foi uma fatalidade, que acaba consternando os familiares deles e a nós também", completou o comandante.

 

Araújo estava na GCM havia 18 anos. Ele deixou três filhos, de 28, 24 e 10 anos. O horário e local do velório e do enterro ainda não foram definidos pelos familiares da vítima. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Prefeitura de Osasco, por precaução a esposa da vítima será encaminhada "a um local seguro", com escolta da GCM.

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