Guarda Municipal assiste passivamente a assalto no Rio

Uma equipe da Inspetoria da Guarda Municipal do Rio, chefiada por um homem que se identificou como Pombo, presenciou passivamente a um assalto, seguido de espancamento, na noite desta quinta-feira, na Cinelândia, no centro da cidade. Mesmo alertados por populares, os oito guardas viraram as costas para o local do crime e, depois, argumentaram que a repressão aos assaltantes - pelo menos cinco adolescentes - caberia à Polícia Militar. A reportagem do Estado assistiu ao incidente e tentou ouvir o chefe da equipe da Guarda Municipal. Pombo, no entanto, recusou-se a falar.Uma mulher, que se identificou como funcionária da Câmara de Vereadores, pediu providência aos guardas, depois de relatar que sua amiga acabara de ser assaltada do outro lado da Avenida Rio Branco, próximo à Biblioteca Nacional. Eram 20h20. O grupo de rapazes ainda circulava no local. De repente, começou uma correria pela principal via do centro do Rio. Um dos acusados do assalto saiu em disparada em meio aos carros, seguido por um homem de gravata e camisa social e, logo atrás, pela vítima.Um pequeno aglomerado se formou nos pontos de ônibus da Cinelândia. Todos olhavam para a perseguição, inclusive, nesse momento, os guardas municipais. O rapaz foi alcançado em frente ao Museu Nacional de Belas Artes e imediatamente começou a ser espancado pelo homem de gravata. Enquanto isso, seus companheiros se escondiam por ruas próximas. A sessão de pancadaria continuou por mais alguns minutos, até que os guardas, enfim, entrassem em ação. A atitude deles foi em resposta à pressão de populares que passavam pela Cinelândia.Com escoriações, o rapaz foi detido e ficou dentro da Kombi da Inspetoria da Guarda Municipal, placa LOI - 9351, por cerca de 20 minutos. Como a mulher assaltada se negou a registrar queixa, ele foi solto, sob protesto de quem acompanhava a cena. "Eu fui roubada na frente de vocês. Me levaram cordão, dinheiro, celular e fui agredida. Por que não agiram? Eu vou embora e sei que vocês vão liberá-lo", disse a mulher, em tom indignado, sem revelar seu nome. Pouco antes das 21 horas, o grupo acusado do assalto já estava circulando livremente pela Rio Branco, na calçada ao lado do Teatro Municipal.

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