Guarda municipal obriga crianças a ficarem ajoelhadas em Amparo

Um grupo de ao menos cem crianças, com idades entre 11 e 14 anos, que estudam no Serviço Social da Indústria (Sesi), foi obrigado a ficar de joelhos enquanto esperava por uma apresentação de teatro na manhã de segunda-feira,16, em Amparo, interior de São Paulo. A ordem teria partido de um guarda municipal como uma espécie de castigo, porque uma pessoa que passava pelo local teria sido atingida com uma pedra, atirada pelas crianças. O coordenador cultural do teatro da Fundação São Pedro, Rafael Piffer, testemunhou a cena e fez um vídeo de 40 segundos dos cerca de cinco minutos em que as crianças ficaram ajoelhadas num terreno cheio de pedriscos. As imagens estão em poder da Polícia Civil de Amparo, responsável pela investigação sobre suposto abuso de autoridade. "É humilhante. Eu falei para as crianças que tudo estava sendo registrado e o guarda ainda disse que ele era autoridade e eu não podia fazer aquilo", afirmou Piffer. Segundo uma professora informou à Fundação São Pedro, a autoridade que obrigou as crianças a ficarem de joelhos também teria mostrado uma arma durante alguns minutos. Nem a Guarda Municipal nem a prefeitura divulgaram o nome do guarda. A GM afastou temporariamente seu integrante, que trabalhava para a corporação há 12 anos e tinha apenas um registro de punição em sua ficha, por desobediência. O secretário de Governo e Cidadania de Amparo, Cássio Pacetta, informou que foi instaurado um processo administrativo e uma comissão de sindicância da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos vai apurar o caso. "Assim que tomamos conhecimento do fato afastamos o guarda até que a denúncia seja apurada. Só temos a lamentar e pedir desculpas às crianças, professores e às famílias. Temos certeza que essa foi uma atitude isolada e queremos saber o que ocorreu", disse Pacetta. De acordo com testemunhas, algumas crianças ficaram com os joelhos machucados. Ao menos dois estudantes passaram por exame de corpo de delito. O Sesi informou que seu departamento jurídico em São Paulo analisa quais medidas tomar.

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