Guardas de Indaiatuba acusados de roubo de armas

Quatro guardas municipais de Indaiatuba foram presos, nesta semana, acusados de peculato, por terem furtado quatro revólveres e 830 balas da corporação. O material foi encontrado escondido no forro da casa do GM Silvio Nascimento de Souza. Ao ser preso em flagrante, Souza delatou outros três colegas, que também tiveram decretadas prisões temporárias. O inquérito foi encaminhado ontem à Justiça. Um dos apontados por Souza, Eder Chagas da Silva, está detido em Porto Feliz porque responde às acusações de homicídio e tentativa de homicídio. Os outros dois, Afonso Lucas Fernandes e Luciano Messias Leite, foram encaminhados, junto com Souza, ao Centro de Detenção Provisória de Hortolândia. A prisão dos quatro guardas coloca novamente Indaiatuba em foco, por causa de crimes cometidos por policiais. Em dezembro, foi preso o policial militar Gérson de Brito, acusado de tentativa de homicídio de uma adolescente, após uma festa de confraternização com PMs e guardas municipais. Há dez dias, outro policial militar, Oséas Rodrigues, foi detido acusado de estupro e atentado violento ao pudor. As vítimas são uma adolescente e uma menina de dez anos. Os dois PMs estão presos em São Paulo. A Guarda Municipal também está sendo investigada por promover festas em que há consumo de entorpecentes, conforme denunciou uma testemunha à polícia civil. O secretário de Defesa Social de Indaiatuba, o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar Antônio Marinho da Silva, reconheceu que a sucessão de crimes cometidos por policiais afeta a credibilidade da polícia da cidade. Mas o tenente-coronel argumentou que em todo segmento "há o joio e o trigo". A GM de Indaiatuba tem 200 integrantes, e existe há 19 anos. O roubo das armas e da munição ocorreu em 3 de dezembro. A partir de uma denúncia anônima, os guardas foram avisados de que Souza estava praticando tiro ao alvo em latas de refrigerante em um bairro da periferia. Com ele, os policiais encontraram munição nova, parecida com a roubada, mas o suspeito negou. Em investigações na casa do acusado, os guardas descobriram, por meio da família, que ele ia com freqüência ao forro, onde foram achados os objetos roubados. Souza disse que cometeu o crime a mando dos outros três GMs, e não sabia que destino seria dado ao material. Os outros negam participação no peculato. O tenente-coronel explicou que está aguardando a decisão da Justiça. Caso os promotores entendam que não há provas suficientes contra dois dos três acusados por Souza - um responde a outras acusações -, eles poderão voltar à corporação já na próxima semana. O secretário argumentou que a GM tem papel fundamental no policiamento de Indaiatuba, porque atua diretamente na segurança, atendendo uma média de 500 ocorrências por mês. Para evitar que a credibilidade do órgão seja afetada, o tenene-coronel comentou que será enviado um projeto do Executivo à Câmara Municipal para a aprovação da criação de uma corregedoria da Guarda Municipal, que irá fiscalizar os membros da corporação.

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