Guerra de facções foi a causa das mortes em presídio, diz advogado

Sete presos foram assassinados nesta quinta-feira durante rebelião no Centro de Detenção Provisória (CDP-I), em Guarulhos, na Grande São Paulo. Cinco funcionários foram tomados como reféns e liberados sem ferimentos. O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB de Guarulhos, Fábio de Souza Santos, obteve de funcionários do CDP-I a informação de que a rebelião foi uma disputa entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC). Segundo o advogado, os sete mortos eram do CRBC.Ele também disse que o Comando Democrático da Liberdade (CDL), outra facção, se uniu ao PCC para atacar os presos do CRBC. O advogado da OAB apurou que presos do PCC organizaram um plano de fuga, que foi abortado porque chegou ao conhecimento da direção. Os acusados de delatarem o plano eram presos do CRBC. As mortes foram uma represália.Santos disse que os presos do raio 6, após dominarem os cinco funcionários, pegaram chaves e com elas tiveram acesso ao raio 3, onde mataram os sete detentos a golpes de estiletes e pauladas. O que mais impressionou o perito Pedro Gilberto foi o grau de violência. ?Eles foram mortos com crueldade, sem direito a defesa.?Os corpos ficaram estendidos no corredor central. Um deles tinha um papel no peito, onde estava escrito ?dorme cagüeta?. Três cadáveres tinham flores de plástico na boca.Depois que a PM anunciou o fim da rebelião, cerca de cem parentes de presos permaneceram em frente à portaria, exigindo a lista dos mortos. Um grupo fez uma barreira humana tentando impedir a saída de dois caminhões que transferiam 160 presos. Um grupo de 30 parentes invadiu o CDP-I. Cerca de 70 homens da Tropa de Choque, que acabavam de fazer revistas nas celas, se preparavam para deixar o CDP-I, mas não houve confronto.Os mortos são: Fábio da Silva Alves, Marcelo Luis Ramiro, Adilson Rodrigues Garcia, Marcos Pimentel Carvalho, Adailton Gomes Pinto, Denis Augusto Marques e Romildo Rodrigues da Silva. Três presos ficaram feridos.

Agencia Estado,

02 de maio de 2002 | 20h33

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