Guerra, Dias e Pimenta são citados para vice

Nome para compor chapa encabeçada por Serra deve ser definido apenas no final do prazo para o registro da candidatura

, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

A aposta geral dos tucanos que participaram ontem da convenção é que a definição do vice do candidato José Serra ficará mesmo para a última hora, quando se encerrar o prazo fatal para o registro da candidatura. Até por falta de alternativa, o vice considerado mais provável hoje é o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Com um leque estreito de opções para fechar a dobradinha da oposição, Serra ainda articula em favor de um vice que facilite a composição de palanques nos Estados. É nessa linha que o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) ainda é citado como forte alternativa na mesa de negociação.

Com Álvaro na vaga de vice, apostam os tucanos, o PSDB garante a adesão do irmão dele, o também senador Osmar Dias (PDT). O objetivo, nesse caso, é "provocar um estrago" na base de apoio do PT, em um Estado com 7,5 milhões de eleitores.

Há um terceiro nome sendo citado, o de Pimenta da Veiga, tucano mineiro que representa um Estado eleitoralmente estratégico - 14,3 milhões de eleitores.

Tempo de TV. A ideia de aproveitar o vice para fortalecer o palanque eletrônico, ampliando o tempo de televisão no programa eleitoral gratuito, fica a cada dia mais remota. A opção, nesse caso, seria o PP do senador Francisco Dornelles (RJ), primeira alternativa pensada depois da recusa pública do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Depois disso, surgiram dois complicadores. O PT passou a investir pesado nas lideranças pepistas, com objetivo de criar um fato novo na campanha presidencial que abra a possibilidade de vitória em primeiro turno da candidata petista Dilma Rousseff. Um importante líder do partido que participa das negociações com o PT revela que a conversa avançou e que o PP está mais próximo de Dilma hoje. Ele avalia que o partido já percorreu "65% do trajeto" nessa direção.

Além disso, veio o inconveniente criado pelo próprio Dornelles, quando mudou a redação do projeto Ficha Limpa, adiando o veto a candidatos condenados pela Justiça. Tucanos mais experientes avaliam agora que seria um risco pôr Dornelles na vice de Serra, o que carimbaria a chapa tucana como ficha suja. O PSDB se dará por satisfeito se Dornelles conseguir "segurar" o partido em posição de neutralidade.

Estresse. A despeito do clima festivo da convenção, dirigentes tucanos identificam um "certo estresse" na relação com o DEM. Líderes do partido aliado reclamam que Serra está muito fechado e já começam a reagir à imposição "goela abaixo" de um vice "da cabeça do candidato".

A opção mais forte do DEM - única ainda considerada viável - é o deputado José Carlos Aleluia (BA), que já recomendou aos correligionários silêncio absoluto sobre o assunto, para não azedar a boa relação que tem com Serra. Mas a regional baiana entrou em atrito com o PSDB nacional, pois queria somar à festa tucana de Serra a convenção estadual para definir a candidatura do ex-governador Paulo Souto (DEM). A direção tucana, porém, vetou a convenção conjunta, argumentando a inconveniência política de misturar assuntos.

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