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Guerra do PCC: 96 mortos, 63 ônibus queimados e uma metrópole acuada pelo medo

Com a rendição dos detentos rebelados do Centro de Detenção Provisória III de Hortolândia e da Penitenciária II de São Vicente, terminou na noite desta segunda-feira a maior a maior rebelião de presos da história do País, articulada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que mobilizou 87 penitenciárias, Centros de Detenção Provisória e cadeias e fez 351 reféns. Além das rebeliões, uma série de atentados contra policiais e agentes de segurança em todo o Estado durante o fim de semana deixou quase 100 mortos.O medo de que as ações da organização criminosa se alastrasse ainda mais provocou o caos na capital paulista. Mais de 50 ônibus foram queimados, provocando a paralisação do serviço em várias regiões da cidade. O temor se estendeu ao comércio, que começou a fechar as portas. No meio da tarde a cidade viveu um horário de pico antecipado, com milhões de pessoas tentando voltar para casa num volume jamais visto nem mesmo nos piores dias de trânsito. Os congestionamentos se estenderam por toda a cidade. Os ônibus que circulavam eram insuficientes para o número de pessoas e ficaram lotados. Táxis vazios viraram um artigo raro.Com a debandada, um toque de recolher informal, a cidade ficou deserta. Às 21 horas, o movimento de ruas e avenidas era equivalente ao das madrugadas de clima frio.TransferênciaOs ataques e as rebeliões foram deflagrados pelo PCC depois que as autoridades transferiram cerca de 760 presos ligados à organização criminosa para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Alguns dos líderes da facção foram levados para a carceragem do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo, na noite de sexta-feira para prestarem depoimento. A transferência foi feita justamente porque o governo estadual descobriu que o PCC planejava uma megarrebelião para o final de semana, aproveitando o Dia das Mães.A segunda-feira começou com 57 penitenciárias, centros de detenção e cadeias públicas controlados por detentos. Ao todo, foram registradas rebeliões em 87 unidades prisionais desde a sexta-feira. AtaquesA cidade amanheceu em estado de guerra, depois de mais uma madrugada de ataques. Pelo menos 11 agências bancárias foram metralhadas ou atingidas com coquetel molotov. Carros das Polícias Civil e Militar circulavam com as luzes apagadas. Delegacias, quartéis da PM, postos da Guarda Civil Metropolitana e do Corpo de Bombeiros, muitos deles completamente apagados, tiveram a segurança reforçada.Além dos bancos, muitos ônibus foram atacados durante a madrugada. Os veículos se tornaram, no domingo, o principal alvo dos criminosos, que incendiaram 63 ônibus em todo o Estado, sendo 51 apenas na região metropolitana de São Paulo. Cidade parouPelo menos 5 milhões de passageiros ficaram a pé na capital nesta segunda-feira - 2,9 milhões somente pela manhã -, em conseqüência dos ataques do PCC aos ônibus municipais. Com o ataque a ônibus, 5.100 veículos deixaram de circular.Comércio, empresas de serviços e até repartições públicas foram fechados mais cedo e seus funcionários dispensados. Quinze shoppings da Grande São Paulo desistiram de funcionar à noite. A lista inclui West Plaza, ABC Shopping, Central Plaza, Interlagos, Continental, Market Place, Iguatemi, Villa Lobos, Center Light, Paulista, Higienópolis, Center Lapa, Center Norte, Lar Center, Eldorado, Anália Franco e Morumbi.Na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, zona oeste, tradicional de comércio do bairro, quase todas as lojas foram fechadas por volta das 14h40. Os lojistas da 25 de Março, no centro, a mais tradicional rua de comércio de São Paulo, também decidiram fechar as portas para liberar os funcionários mais cedo e evitar problemas na volta para casa. Na Oscar Freire e Augusta, na zona sul, boa parte das lojas fechou antes do horário normal.Escolas e faculdadesMuitas escolas suspenderam as aulas nesta segunda-feira e estão liberando os alunos de comparecer na terça. Nas escolas particulares, muitas fecharam ou recomendaram que os pais buscassem os filhos mais cedo.Já nas escolas estaduais as aulas não foram suspensas, garantiu a Secretaria de Educação. Várias faculdades da capital paulista e da Grande São Paulo também cancelaram as aulas para garantir a segurança dos alunos. O saguão do aeroporto de Congonhas foi evacuado durante a tarde por causa de uma ameaça de bomba. Porém, nada foi encontrado. TelefonesCom o medo cada vez maior, a busca por informações e a troca de telefonemas entre os usuários causaram lentidão e até indisponibilidade do serviço em várias regiões da cidade.

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