Guerra do PP tem Petrobrás como foco

Disputas internas do partido não passam apenas pela pasta das Cidades, mas também pela Diretoria de Abastecimento da petrolífera

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2011 | 00h00

A disputa travada entre o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA), e a bancada federal de seu próprio partido tem como pano de fundo a disputa pela diretoria de Abastecimento da Petrobrás, ocupada pelo afilhado de José Janene (PR), morto em setembro passado. Janene foi um dos políticos envolvidos no esquema do mensalão.

O PP tem se engalfinhado para fazer o sucessor de Paulo Roberto Costa, indicado por Janene para a diretoria da Petrobrás ainda no governo Lula.

Na semana passada, Negromonte explicitou as divergências do partido em entrevistas. Chegou a falar na "ficha corrida" dos correligionários e disse que a disputa interna poderia terminar em sangue. O PP, porém, iniciou uma estratégia política para manter o ministro no cargo, temendo a perda de poder na Esplanada dos Ministérios.

Segundo um dirigente do PP, a poderosa diretoria de Abastecimento, que entre outras coisas é responsável pelas obras das refinarias no Nordeste, tem muito mais atrativos do que um Ministério das Cidades sem verbas para investimento.

Os ânimos no PP arrefeceram após os avisos do Planalto de que não adiantaria alvejar Costa porque o partido não faria seu sucessor. "É melhor a gente se contentar em ter um pouco de alguma coisa, do que ficar lutando para ter 100% de nada", resumiu um velho cardeal do partido, conformado com a situação.

Enquanto o PP guerreava, Costa que é um técnico de carreira da Petrobrás, buscou novos padrinhos políticos. Aproximou-se do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e do ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O resultado dessa movimentação, segundo dirigentes do PP, é que Costa dificilmente será removido da diretoria. Ele conta, hoje, com apoio suprapartidário. Além de ser reconhecido como um competente funcionário de carreira, ele conta ainda com a simpatia do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e teria canal direto com a presidente Dilma e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

O que uniu duas das três alas do PP, que somaram forças para trocar o líder na Câmara, foi o descontentamento com a ação do ministro Negromonte e com a falta de democracia interna. Os ânimos exaltaram-se depois da queda do líder Nelson Meurer (PR). Negromonte avaliou que poderia ser a próxima vítima da bancada.

"Um equívoco", diz o vice-líder Jerônimo Goergen (PP-RS), amigo do ex-ministro das Cidades Márcio Fortes, que costurou a aliança com velhos cardeais como Paulo Maluf (SP) e Esperidião Amin (SC).

"Eu nem votei na Dilma, mas não tenho interesse em fazer oposição ao governo e nosso grupo de deputados novos não quer derrubar o ministro nem abalar o comando do partido", afirma o vice-líder, destacando que os 15 deputados novatos querem é "mudar a cara do PP e ser protagonistas no debate político nacional".

Nos bastidores da legenda, esta ala conhecida como "jovem guarda" e os velhos cardeais do PP compartilham a mesma avaliação. Segundo fontes, o velho esquema montado por José Janene teria sobrevivido com a ajuda da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, o que aumentaria ainda mais a disputa.

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