Guerra entre traficantes causa pânico no Rio

Pelo menos um homem morreu e cinco ficaram feridos neste domingo, quando traficantes do Morro do São Carlos, no Catumbi, tentaram tomar o controle do tráfico de drogas no Morro da Mineira, favela vizinha, dominada por um bando rival. Houve tiroteio entre os criminosos e confronto de bandidos com policiais, provocando pânico e impedindo moradores de voltarem para casa. No fim da tarde, um corpo foi abandonado e incendiado perto do local do confronto. A Polícia suspeitava de que houvesse mais mortos na favela.O cadáver foi deixado na Avenida Presidente Vargas, perto do Sambódromo. Testemunhas disseram que um homem vestido com uniforme de gari levou o corpo para o local dentro de um carro de lixo e ateou-lhe fogo. Até as 18 h, a Polícia ainda não tinha recolhido o corpo do homem que, segundo populares, teria sido morto no Morro da Mineira.A invasão na favela ocorreu por volta das 3 horas e, de acordo com policiais, teria sido comandada pelo traficante Gilson Ramos da Silva, o Gilson Aritana, de 21 anos, apontado como o chefe do tráfico no Morro do São Carlos no lugar de Irapuan David Lopes, o Gangan, morto em outubro numa operação policial. "Tudo indica que o Aritana comandou essa invasão e achamos que há bastante corpos (na favela). A polícia está checando", disse o delegado Rafael Willis, da 6ª DP (Cidade Nova).O clima na favela ficou ainda mais tenso por volta das 11 horas, quando policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram chamados para auxiliar os PMs do 1º Batalhão (Estácio) que já estavam na favela. Para conseguir subir com os dois carros blindados do Bope, foi preciso desobstruir uma barricada feita pelos bandidos com manilhas, que fecharam uma rua de acesso à Mineira. Houve um intenso tiroteio, e moradores e jornalistas que estavam na subida do morro tiveram de se abrigar. Mulheres corriam com crianças no colo.Moradores contaram que o confronto deixou um rastro de sangue pelas ruas do morro. A técnica em informática Maria Tavares, de 27 anos, esperava notícias do pai, que mora na favela. "Ia almoçar na casa dele, mas estou com medo de subir. A gente não sabe como está a situação." Ela contou que não conseguiu falar com o pai por telefone, porque os criminosos cortaram a linha.Um Corolla com o porta-malas com marcas de sangue foi encontrado por policiais no Morro da Mineira. A Polícia investiga se o veículo, roubado na quinta-feira na Tijuca, teria sido usado para levar corpos até uma lixeira no alto da favela, onde seriam queimados.

Agencia Estado,

26 de dezembro de 2004 | 19h03

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