Guerra: ''Lula reage como no mensalão''

Dirigente tucano compara pronunciamento do presidente na TV à reação que teve no escândalo de 2005 e chama adversários de ''bandidos''

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), comparou as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no horário eleitoral da televisão à atuação do petista no episódio do mensalão. Disse também que o presidente sabia que o sigilo cadastral do genro de José Serra, Alexandre Bourgeois, havia sido quebrado e chamou os adversários de "bandidos".

"Há sempre um argumento: eu faço, mas eles também fizeram; eu faço, mas eles também fazem. Isso é argumento de bandido. Quando bandido é preso, ele diz o seguinte: eu faço, mas alguém já fez isso", afirmou o presidente do PSDB.

Questionado se chamava Lula de bandido, ele afirmou: "Não sou leviano de chamar o presidente da República de bandido."

Guerra convocou a entrevista ontem para rebater o depoimento de Lula ao programa eleitoral da candidata do PT, Dilma Rousseff, no qual ele disse que os tucanos estavam promovendo uma "baixaria" ao vincular o episódio da quebra de sigilo fiscal aos integrantes da campanha petista.

Mencionou então entrevista dada no exterior por Lula em 2005, no auge da crise do mensalão. Na ocasião, Lula minimizou as denúncias. Guerra afirmou que o discurso de Lula para defender Dilma na TV foi "panfletário e mentiroso".

"Como fez antes, no episódio do mensalão, ele disse que aquilo não era nada. Uma armação da oposição", disse Guerra. "Ele achava que despesas de campanha não declaradas são coisas normais. Esse é o mesmo presidente que achou graça das multas que tomou da Justiça Eleitoral."

Para o tucano, a questão chegou ao seu limite. "Essa não é uma reação precária de quem quer 2 ou 3 pontos a mais nas pesquisas de intenção de voto. É uma ação legítima nossa", disse a respeito dos ataques aos adversários, enfatizando que o objetivo da violação de dados era política.

Guerra comentou que Lula sabia da quebra de sigilo do genro de Serra. Disse que a Secretaria de Segurança Pública havia sido procurada pela Polícia Federal para dizer que tanto Alexandre quanto Verônica seriam intimados. E usou essa tentativa de contato como exemplo de que a PF não queria aprofundar investigações.

Procurada pelo Estado, a assessoria da PF disse que o superintendente da entidade em São Paulo, Leandro Coimbra, ligou para o secretário de Segurança do Estado, Antonio Ferreira Pinto, para informar que a filha de Serra seria chamada para depor.

Ainda segundo a assessoria da PF, Leandro, que teria boa relação com Ferreira Pinto, fez o contato "informal" por telefone para não causar "constrangimento" a Verônica. A PF afirmou que o próprio Serra, ao receber a sugestão de usar agentes da PF para sua segurança durante a campanha, teria negado, mas indicado o secretário como contato para questões relacionadas a esse tema.

A Secretaria de Segurança disse que o secretário foi procurado informalmente por Leandro, mas não fez nada porque a secretaria não teria legitimidade para interceder nesse caso. A campanha de Serra nega que o tucano tenha deixado o secretário como contato para assuntos sobre segurança. A PF informou ainda que procurou os advogados de Verônica diretamente, após não receber resposta de Ferreira Pinto.

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