Gurgel reclama de atraso em investigação da PF

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reclamou ontem da demora da Polícia Federal para executar diligências que deveriam apurar o chamado mensalão do DEM. O esquema de desvio de recursos públicos levou à prisão e renúncia do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Mariângela Gallucci, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

"Tivemos realmente uma série de dificuldades com a Polícia Federal, atrasos de perícias e tudo o mais. Ainda há diligências pendentes, mas a gente espera conseguir resolver isso e ter condições realmente de apresentar nossa conclusão", disse Gurgel.

Reportagem publicada pelo Estado no dia 6 revelou a crise provocada por divergências entre integrantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Policiais reclamaram que o relatório final do caso foi entregue em agosto, apontando Arruda como chefe de uma organização criminosa destinada a desviar recursos públicos. Membros do Ministério Público, contudo, consideraram insatisfatório o relatório.

Além disso, como o Estado mostrou ontem, disputas políticas pelas diretorias da PF já afetam a produtividade da corporação. A taxa de abertura de novos inquéritos caiu pela metade nos dois primeiros meses de 2011, quando comparada à média de 2010.

Gurgel afirmou que existem "algumas dificuldades grandes" para oferecer a denúncia num prazo curto. Para Gurgel, a demora é "sempre muito inconveniente para qualquer investigação". Mas ele disse que o Ministério Público não pode se precipitar e oferecer uma denúncia sem o devido suporte. "Aí, sim, comprometeríamos uma investigação e apuração de fatos que são extremamente graves."

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