Gurgel vê corrupção ainda maior no DF

Procurador-geral avalia que situação continua grave e defende que problemas só serão resolvidos com uma intervenção federal

Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

A corrupção revelada pela Operação Caixa de Pandora registra só uma parcela do desvio de dinheiro público no Distrito Federal. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que a situação na capital federal é gravíssima e que há indícios de que a corrupção pode ser maior do que foi divulgado até agora.

"Estamos desde sempre prosseguindo e aprofundando as investigações. Há indícios de que além do que já foi revelado haveria muito mais em termos de irregularidades, em termos de uma corrupção disseminada pela máquina administrativa do Distrito Federal", declarou Gurgel ontem . "A situação, diferentemente do que certas aparências possam indicar, continua extremamente grave."

Gurgel defendeu a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a intervenção no DF. "Na verdade, se tem procurado dar uma aparência de normalidade ao funcionamento das instituições do Distrito Federal. Mas é uma aparência que se limita à superfície", disse.

Intervenção. De acordo com o procurador, problemas graves persistem no Executivo e no Legislativo. "O Ministério Público continua convencido que (os problemas) só poderiam ser resolvidos com a decretação da intervenção federal", afirmou.

O procurador é contra a realização de eleição indireta para escolha do novo governador. Segundo ele, o objetivo é tentar enfraquecer o pedido de intervenção no Distrito Federal. "Na minha visão, entretanto, ela apenas fortalece a intervenção", disse. Gurgel observou que o colégio eleitoral será formado pelos integrantes da Câmara Distrital e que parte deles é suspeita de envolvimento com as supostas irregularidades.

Arruda na prisão. Chegou ontem ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido da defesa do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) para que ele seja solto.

Arruda está preso desde 11 de fevereiro, na Polícia Federal, em Brasília, por ordem do STJ. Ele é suspeito de tentar coagir uma testemunha que deporia sobre o esquema de corrupção no Distrito Federal.

Advogados de Arruda entregaram ontem memoriais para ministros do STJ sobre sua situação. Ontem, o procurador-geral disse que não sabia se o STJ analisaria hoje o pedido de soltura do ex-governador. No entanto, ele afirmou esperar que esse julgamento ocorra rapidamente.

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