Há bandidos infiltrados na polícia, diz Petreluzzi

O secretário estadual de Segurança Pública, Marco Vinício Petreluzzi, disse que a má atuação de alguns policiais não deve ser confundida com a instituição da polícia. "Não é a polícia, são bandidos infiltrados, e como tal serão mandados embora", disse Petreluzzi, se referindo aos cinco investigadores do Departamento de Investigação de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil, acusados pelo Ministério Público de extorsão de traficantes na região da Cracolândia.Petreluzzi disse ainda que a ação criminosa de alguns policiais não caracteriza a presença de uma "banda podre" na polícia paulista. "Não vamos misturar as coisas. O termo foi usado pelo sociólogo Luiz Eduardo Soares, falando da cúpula da polícia do Rio, que havia controlando a polícia. Nós estamos falando de cinco investigadores que foram pegos fazendo coisa errada na rua. Não tem liderança da polícia paulista envolvida nisso", disse.Na avaliação do secretário, a ação denunciada pelo MP não deve comprometer o trabalho desenvolvido pelos demais 125 mil policiais civis e militares. "Tenho absoluta convicção de que a grande maioria da polícia faz um belíssimo trabalho. Agora, gente ruim tem em todo o lugar", disse Petreluzzi. "A nossa polícia não é a que foi vista lá. É a que faz atos de heroísmo todos os dias, que dá sua vida para defender as nossas", completou, referindo-se ao vídeo mostrando os investigadores na Cracolândia.Petreluzzi disse que o governo paulista não pretende rever salários nem conceitos de admissão, treinamento e atendimento psicológico aos policiais. Só em 2001, foram afastados 363 policiais, nas duas corporações, além de suspensas 40 admissões, antes de entrarem na fase de estabilidade. "As demissões não significam que exista algo de errado, só mostram que há uma profunda fiscalização, que o controle da Ouvidoria, das corregedorias e da imprensa são eficazes", disse Petreluzzi.Segundo o secretário, o governo paulista dá aos policiais o melhor treinamento possível. Ele admite que o salário poderia ser mais elevado, mas argumenta que há limitações orçamentárias. "Hoje, na capital, ninguém ganha menos do que R$ 1.150,00. E delegados e oficiais da PM não ganham menos do que R$ 2.500,00. Se não é satisfatório, pelo menos é razoável", disse.

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