Há pelo menos um caso de suicídio por hora no País

Diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria diz que é preciso sensibilizar os médicos para perceber os sinais dados pelos pacientes

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2016 | 03h00

A cada hora, pelo menos uma pessoa se mata no Brasil. Foram 10.653 vítimas no País, em 2014. Essas mortes poderiam ser evitadas, afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva. Segundo ele, falta rede pública de amparo a essas pessoas. A maioria delas procurou ajuda médica no mês anterior à tentativa de suicídio e metade tentou tirar a vida novamente nos três meses seguintes ao primeiro ato.

Para tentar reduzir as estatísticas, a ABP lançou uma série de iniciativas para marcar o Setembro Amarelo - da distribuição de cartilhas para médicos ao lançamento de material informativo para jornalistas. A entidade informou ainda que buscará parceria com conselhos de engenharia e arquitetura para a criação do “selo amarelo”, que identificará construções que ajudem na prevenção ao suicídio. Hoje, o Cristo Redentor será iluminado de amarelo, com o objetivo de chamar a atenção para o problema.

De acordo com Silva, que cita a revisão de 31 artigos científicos que analisaram 15.629 casos de suicídio no mundo, em 96,8% dos suicídios as pessoas tinham algum diagnóstico de transtorno mental quando se mataram - 35,8% sofriam de transtornos de humor (depressão e transtorno bipolar são os mais comuns); 22,4% tinham histórico de abuso de álcool e drogas; 10,6% sofriam de esquizofrenia. “Quando você detecta que alguém tem aids, faz-se uma notificação compulsória e o Estado vai atrás para tratar. Não temos isso em caso de suicídio. Onde no Brasil você consegue marcar consulta com psiquiatra em menos de três meses na rede pública?”

É preciso sensibilizar ainda os médicos para perceber os sinais emitidos pelo paciente. “Cerca de 70% das pessoas avisam de alguma forma que vão tentar se matar. Elas procuram alguma ajuda médica com queixas como dor de cabeça, na coluna, dor do estômago. É preciso treinar o médico para perguntar sobre o lado emocional”, afirmou o psiquiatra João Romildo Bueno, diretor da ABP. 

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