Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Hackers expõem supostos dados de Dilma e Kassab

Informações como números de CPF e de telefones foram publicadas pelo LulzSecBrasil, grupo que reivindicou ataques a sites como os da Presidência da República e da Petrobrás

, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2011 | 00h00

Sites do governo brasileiro foram alvo de novos ataques de hackers ontem. Durante a tarde, os portais da Presidência da República, do Senado, do Ministério do Esporte não carregavam e apresentavam mensagens de erro. A ação ocorreu um dia após o grupo de hackers LulzSecBrazil deixar outros sites indisponíveis.

Até o início da noite, o grupo não havia assumido, como fez na quarta-feira, a autoria de possíveis ataques para deixar os sites fora do ar. O LulzSecBrazil, no entanto, divulgou supostos dados pessoais da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Os dados constavam de um arquivo cujo link foi postado no Twitter pelos hackers do LulzSecBrazil. Foram atribuídos a Dilma e Kassab números do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), data de nascimento, telefones e até signo astrológico. No caso do prefeito, havia ainda referências ao nome da mãe e e-mails. Muitos desses dados são públicos e constam, por exemplo, de prestações de contas de campanhas eleitorais.

Vandalismo. O Palácio do Planalto não confirmou se os dados da presidente são verdadeiros. A assessoria de imprensa ressaltou que não houve registro de acessos a dados pessoais ou sigilosos no ataque feito ao portal da Presidência. A assessoria destacou ainda que várias das informações divulgadas constam de bases públicas na internet.

Kassab se utilizou do Twitter para chamar de "vândalos" os hackers que revelaram os dados. O prefeito qualificou a ação do grupo como "lamentável". "Minha solidariedade à presidenta Dilma que, como eu, foi pessoalmente vítima desta truculência", escreveu.

As informações relativas a Dilma a vinculam à Petrobrás, estatal de cujo Conselho de Administração ela fez parte até o início do ano passado, antes do lançamento de sua campanha à Presidência.

Esporte. O grupo de hackers afirmou ainda ter copiado dados protegidos no site do Ministério dos Esportes, mostrando supostas diferenças entre contribuições anunciadas pelo governo para Estados que sediarão jogos da Copa do Mundo e o montante recebido, segundo os Estados. Também foram reveladas as senhas que servidores do ministério e de outros órgãos públicos utilizavam para se conectar a um sistema interno da pasta.

O LulzSecBrazil é o braço brasileiro do grupo internacional Lulz Security, que recentemente promoveu ataques cibernéticos a servidores da CIA (agência de inteligência americana), do FBI (polícia federal americana), do serviço público de saúde britânico, o NHS, da empresa Sony e das TVs Fox e PBS.

Na quarta-feira, o LulzSecBrazil foi responsabilizado por ataques que deixaram fora do ar os sites da Presidência, da Receita Federal e da Petrobrás.

Por volta das 17h de ontem, todos os portais que apresentaram problemas já estavam no ar novamente, mesmo que com alguns problemas de configuração e lentidão. O site do Ministério dos Esportes tinha uma imagem com a mensagem "O sítio está em manutenção".

Nos ataques, os hackers se utilizam de uma rede de computadores e servidores que, simultaneamente, enviam comandos para se conectar a determinados sites. Sem dar conta do tráfego elevado, os servidores atingidos acabam ficando inacessíveis. COLABORARAM ÍTALO REIS, LILIAN VENTURINI, KARLA MENDES e LISANDRA PARAGUASSU

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