Hackers invadem site de Requião e de órgãos estaduais

Pelo Twitter, senador diz que página foi atacada por 'desocupados'; no RS, tabelas da Brigada Militar tiveram dados acessados

Lilian Venturini, Elder Ogliari, Liege Albuquerque e Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2011 | 00h00

Depois de sites vinculados ao governo federal serem atacados por hackers entre quarta e sexta-feira, as páginas do senador Roberto Requião (PMDB-PR), da Universidade de Brasília (UnB) e de órgãos públicos de três Estados foram invadidas ontem.

Em seu perfil no Twitter, Requião informou ontem à tarde que o problema já estava sendo solucionado, mas não deu detalhes do que ocorreu. "Desocupados invadiram meu sítio. Genival José, sempre atento, já está providenciando o pleno funcionamento. Polícia Federal nesses canalhas!", escreveu. O site do senador exibia apenas a mensagem "site em manutenção".

Requião é o segundo político a sofrer ataque cibernético: na sexta-feira, o perfil no Twitter do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), havia sido invadido.

A primeira onda de ataques foi assumida por LulzSecBrazil, braço brasileiro do Lulz Security. Ontem, um porta-voz do grupo declarou que o objetivo é atacar os "que estão no topo" da sociedade e combater a corrupção. A Polícia Federal investiga os ataques aos sites do governo.

No Rio Grande do Sul, o site da Brigada Militar (equivalente à Polícia Militar) foi tirado do ar à tarde pela própria corporação, para revisão do banco de dados. A página foi invadida durante a madrugada. Intrusos acessaram tabelas da área de gerenciamento e divulgaram parte delas pelo Twitter.

Uma varredura inicial mostrou que os dados não são sigilosos. "A exemplo do que fizeram em várias partes do Brasil, foi mais uma demonstração ao estilo dos pichadores, do tipo "estivemos aqui"", avalia o coronel Leonel Andrade, diretor do Departamento de Informática da Brigada Militar.

O site da Assembleia Legislativa do Amazonas também foi atacado ontem. Hackers do grupo Sophia Hacker Group 2011 - Owned by Alternative substituíram as legendas sobre atividades realizadas pelos deputados estaduais pelo nome do grupo. A Assembleia tirou a página do ar.

Em Mato Grosso, o alvo foi a página da Secretaria de Estado de Administração. O Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), responsável pela manutenção dos sites do governo, trabalha para descobrir como ocorreu o ataque e acionou a PF.

Universidade. Na capital federal, a página da Universidade de Brasília (UnB) foi atacada. Notícias do site foram alteradas - passaram a exibir piadas, em vez de informações acadêmicas. O site, a exemplo das demais páginas atacadas, foi tirado do ar.

O prefeito do câmpus da UnB, Paulo César Marques, que descobriu o problema ainda na madrugada de ontem, disse ao jornal da universidade que foi o primeiro a avisar o centro de processamento de dados da instituição.

Segundo a UnB, não parece ter havido vazamento de dados, mas apenas a alteração de notícias que já estavam publicadas na página. Em uma delas, os hackers colocaram a falsa informação de que o reitor havia sido assaltado. Em outra, que serão feitas mais festas no câmpus. Uma terceira diz que, na segunda-feira, começaria a "Semana do Sexo".

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