Haddad afirma que ''Lula quer renovação no PT''

Com dificuldades para se assumir como protagonista da pré-candidatura, ministro conta com ajuda de ex-presidente e prefeito de São Bernardo para se expor

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2011 | 00h00

Com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ajuda da Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), comandada pelo petista Luiz Marinho, o ministro da Educação, Fernando Haddad, teve uma agenda de candidato ontem à tarde e deu claras demonstrações de que ainda não assumiu o protagonismo da pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo. Apesar de negar que Lula seja seu cabo eleitoral, o ministro invocou o desejo do ex-chefe de lançar um nome novo na disputa.

"O presidente Lula acha que o PT precisa passar por uma renovação, alargar seus horizontes, o diálogo com outras camadas da sociedade que se afastaram um pouco do nosso ideário", disse.

Foi o primeiro evento a que Haddad compareceu com Lula depois de admitir ser pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PT. Haddad participou como ministro da 1.ª Festa Literária infanto-juvenil da cidade, promovida pela Prefeitura de São Bernardo. A presença do ministro ao lado de Lula foi amplamente divulgada pela prefeitura. A pedido do ex-presidente, o prefeito Luiz Marinho coordena articulações políticas pró-Haddad no PT. Na prática, o evento seguiu um roteiro traçado para aumentar a exposição do ministro, que desfilou com Lula, tirou fotos, cumprimentou crianças e seus pais, leu um livro para cerca de 60 alunos e foi por eles sabatinado.

Num esforço para evitar exaltar os ânimos dos petistas adeptos de outras pré-candidaturas, o ministro adotou um tom cordial ao comentar a entrevista da principal rival, a senadora Marta Suplicy, ao Estado, na qual ela afirmou que se Lula não quisesse ganhar a Prefeitura escolheria Haddad como candidato. "Ela tem total legitimidade (para ser candidata). Foi candidata três vezes, governou São Paulo e eu participei dessa administração. Não vejo nada de artificial na fala da senadora."

Haddad minimizou a prisão de Mario Moysés, ex-assessor de Marta, pela Polícia Federal. "Não vejo nenhuma relação com a senadora ou sua gestão."

Lula afirmou que os debates que o PT fará com os pré-candidatos serão "um aprendizado importante" para o ministro. "Se ganhar a prévia, ele tem todas as condições de ser um bom candidato a prefeito".

Um pouco desajeitado na pele de pré-candidato, Haddad deu uma volta grande com o raciocínio quando questionado por uma garota se aceitava o convite para visitar a escola dela. Elencou diversas realizações do MEC no ABC paulista antes de dizer que aceitava voltar à cidade para conhecer algumas escolas, desde que fossem participantes de programas do ministério.

A falta de tarimba ficou evidente. Haddad saiu andando pela feira, deixando Lula para trás. Por descuido, ignorou pessoas que desejavam cumprimentá-lo. A outro aluno, que indagou se ele havia estudado em escola pública ou particular, respondeu de bate-pronto:. "Particular". E emendou: "A escola pública está recuperando muito do prestígio que teve há um tempo".

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