Heloísa diz que fé em Deus e no povo a levará ao 2º turno

A candidata do PSOL à Presidência da República, senadora Heloísa Helena (PSOL), minimizou o resultado da pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira, na qual aparece com os mesmos 9% de intenções de voto do levantamento realizado na semana anterior. "Ou as pesquisas estão mentindo muito, ou meu eleitorado é muito apaixonado e aparenta que vou para o segundo turno", disse, durante ciclo de encontros com presidenciáveis, realizado pelo Instituto Ethos, em São Paulo."Se eu acredito até em Deus, que não pode ser localizado geograficamente e nem tocado, como é que eu não posso acreditar na luta do povo brasileiro? Não tenho dúvida de que vou estar no segundo turno", disse a candidata, em campanha em Grajaú, no extremo sul da capital paulista.Heloísa Helena reafirmou estar muito feliz com a "generosidade do povo brasileiro", disse ter sido muito bem recebida em todos os Estados que visitou e voltou a pedir que cada eleitor seu consiga mais dois votos para que possa ir ao segundo turno das eleições. "Aí eu encosto na majestade barbuda e vou para o segundo turno. A única capaz de derrotá-lo sou eu." Heloísa usou até "as milhares de blusinhas brancas" que estaria ganhando de seus eleitores como parâmetro de sua popularidade e que colocariam em xeque as pesquisas. Esquivou-se ao ser questionada se o número de blusinhas recebidas não seria maior que o de intenção de votos. "Não. Eu não posso reclamar porque senão Deus castiga. Deus me livre. As mulheres e homens de paz que não perderam a vergonha na cara e o amor no coração, estão me dando muitos votos, e muitas blusinhas brancas, beijinhos, flores e orações, graças a Deus."Durante o evento, a senadora responsabilizou o Executivo pela crise de ética vivida no Congresso Nacional. "O Vedoin (empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, dono da Planam) procurava os parlamentares indicados por uma lista da Casa Civil. Não fui eu quem disse isso, foi o Vedoin. Não é geração espontânea. Só aconteceu de um lado porque o outro lado permitiu. Isso só aconteceu porque houve promiscuidade do Executivo", completou.Ela voltou a defender um novo modelo de execução orçamentária para diminuir os riscos de crimes contra a administração pública. A senadora disse não se preocupar em ter maioria no Congresso. "Quero um Congresso independente, como manda a Constituição. E de preferência numa oposição fiscalizadora. Não é preciso maioria para aprovara nada além da execução orçamentária."Programa de governo e a crise na coligaçãoHeloísa Helena negou que divergências entre seu partido e o PSTU tenham adiado o lançamento de seu programa de governo, anteriormente previsto para o dia 7 de setembro. "Já lancei meu programa de governo. Todos os dias estou lançando plano de governo. Não há divergência. O problema é que se plantou nos jornais que havia uma divergência e agora fica todo mundo querendo trabalhar essa divergência. Eu, sinceramente: ´tô nem aí, tô nem aí´", cantou.Ela assegurou que nenhum outro candidato falou mais sobre programa de governo que ela. "Nenhuma candidatura fala de política econômica, meta de crescimento, superávit, Desvinculação das Receitas da União (DRU), elaboração do orçamento, montante de recursos e de onde esses recursos sairão", disse.A candidata disse que vai corrigir tabela do Imposto de Renda (IR) e manterá a CPMF, mas que reduzirá o porcentual cobrado. Em sua avaliação, a CPMF foi pensada como um mecanismo para monitorar a lavagem de dinheiro, não como um tributo. Ela reafirmou ser contra a Alca, que a Previdência Social é superavitária e que não fará qualquer reforma para diminuir direitos. Disse que aceita um Banco Central independente, mas desde que nos moldes americanos, em que a estabilidade econômica, segundo ela, é a terceira meta, e a prioridade é o crescimento econômico.Este texto foi alterado às 16h58 para acréscimo de informações.

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