Heloísa diz que Lula comandava diretamente esquema de corrupção

A candidata do PSOL à Presidência da República, senadora Heloísa Helena (AL), disse que só não denunciou antes as irregularidades no governo por não fazer parte do esquema. Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata lembrou que o principal motivo de ter sido expulsa do PT teria sido uma entrevista em que denunciou "o balcão de negócios" instalado no governo. E foi além: "Seria impossível dirigentes partidários e ministros montarem um esquema de corrupção, de tráfico de influência, intermediação do interesse privado, exploração de prestígio, corrupção passiva e ativa sem o Presidente da República comandar diretamente o processo."Ela procurou explicar declarações anteriores em que afirmara não depender tanto do Congresso Nacional. "É que eu sei que na área de saúde, de educação, de assistência social e de segurança pública nós não precisamos de alteração da legislação em vigor no País", ponderou Heloísa Helena, acreditando não haver necessidade de reformar as leis desses segmentos. Porém, ela disse que existem outras funções importantes para os parlamentares, como, por exemplo, fiscalizar o Executivo. "Eu não quero o Congresso Nacional como medíocre anexo arquitetônico do meu governo, mas quero o Congresso independente e fiscalizador."A candidata não respondeu diretamente se cortaria o ponto dos grevistas no caso da deflagração de paralisações em serviços públicos essenciais, como saúde e educação. "No meu governo não haverá greve, pois no meu governo haverá pactuação com os trabalhadores do setor público", garantiu Heloísa Helena. E cutucou: "Movimento grevista só acontece quando tem chefe do Executivo inconseqüente, incompetente e incapaz", frisou. Porém, concordou com o direito de greve: "Os movimentos sociais têm todo o direito de estabelecer a paralisação".Heloísa Helena adiantou que, se for eleita, fará auditorias nas empresas privatizadas e poderá até mesmo reestatizá-las, conforme prevê o estatuto do PSOL. Ela disse que nem mesmo empresas de reconhecido sucesso, como a Vale do Rio Doce, estariam isentas. Porém, afirma que faria uma consulta popular para decidir sobre o assunto. "A nossa obrigação é não tratar o Estado brasileiro como se fosse uma caixinha de objetos pessoais de nenhuma estrutura partidária", justificou a candidata. "Independentemente de ser um partido ético, como o PSOL, ou uma gangue partidária, como se transformou o PT, nós não podemos aceitar que o Estado brasileiro seja privatizado ou estatizado", salientou. "Quem decide é a sociedade."

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