Heloísa Helena volta a criticar política econômica

A candidata do PSOL à Presidência da República, Heloísa Helena, realizou há pouco uma caminhada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, encerrando o ato de campanha em frente à Igreja da Matriz, um dos redutos históricos do movimento sindical brasileiro e que marcou o nascimento e a ascensão política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda durante o período de ditadura militar. "Para mim, é como estar em qualquer outro lugar do Brasil", disse a candidata, em entrevista coletiva, ladeada por sindicalistas ligados ao PSTU e que participam do comitê sindical da Volkswagen, exercendo oposição à atual diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, esta última, por sua vez, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).Dos representantes do comitê sindical, ela recebeu um manifesto criticando a demissão de cerca de 6 mil trabalhadores da Volks em São Bernardo do Campo, até 2008, e outros 960 da General Motors, em São Caetano do Sul, também no ABC.Na visão da candidata, o problema das demissões reside na atual política econômica do governo federal, de juros altos e câmbio valorizado, o que compromete as exportações. "Os problemas das exportações estão levando à desestruturação às montadoras e gerando milhares de demissões, não só nas fábricas, mas também nos fornecedores e revendedoras", explicou.Segundo ela, além de reduzir juros e acomodar o câmbio, o governo federal também deveria atuar, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no favorecimento das exportações, por meio da oferta de uma linha de crédito para financiamento destas exportações e que tivesse como contrapartida a adoção de cláusulas sociais pelos beneficiários.Após caminhar por cerca de uma hora nas ruas do centro de São Bernardo, ao som de "Viva a Sociedade Alternativa", de Raul Seixas, Heloísa Helena voltou a prometer que, caso seja eleita, cortará a Selic "pela metade", o que incorrerá na sobra de R$ 160 bilhões por ano aos cofres públicos, garantindo, assim, fonte para o financiamento do setor produtivo e de projetos sociais.Ao ser indagada como, operacionalmente, pretendia dar uma guinada nos juros, Heloísa Helena disse que, "quem não é imbecil intelectualmente", sabe que o corte da Selic poderia ser feito por decreto presidencial, embora tenha descartado o uso deste recurso. Ela explicou que, atualmente, cabe ao Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecer uma meta de crescimento para o País e, nestas circunstâncias, "o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central apenas define uma meta (de juros), à luz do porcentual de crescimento definido pelo CMN".Até onde se sabe, entretanto, o CMN define somente a meta de inflação do País, sem estabelecer nenhum porcentual para o crescimento da economia e, ao Copom, cabe exercer ações de política monetária para que a meta de inflação seja atingida.Heloísa Helena explicou que, num eventual governo dela, o CMN estabelecerá metas de crescimento acima dos 3,5%, que ela disse terem sido estabelecidos pelo mesmo órgão no atual governo. "Não será preciso decreto presidencial para cortar os juros pela metade, porque o CMN será constituído por homens ou mulheres que não são moleques de recado do mercado financeiro", justificou.Além disso, ela disse ser "farsa intelectual" alegar que o corte brusco da Selic provoca inflação ou fuga de capitais. "Qualquer pessoa que é honesta intelectualmente sabe que não existe inflação no Brasil e o pouco que existe é de custo, não de demanda. A única forma de haver inflação com queda de juros seria se os banqueiros e especuladores distribuíssem R$ 1 trilhão ao povo brasileiro para que corresse para comprar geladeira ou alimentos, portanto, é impossível", opinou, ao negar que suas propostas representem rompimento de modelo econômico.A candidata do PSOL deixou há pouco São Bernardo do Campo, seguindo para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde fará nova caminhada para cumprimentar eleitores e pedir votos.

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