Heloísa se irrita durante entrevista ao <i>Bom Dia Brasil</i>

A candidata à Presidência da República pelo PSOL, Heloísa Helena, deu entrevista esta manhã ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo. Visivelmente irritada, e chamando a todo momento os entrevistadores de "jornalista", sem citar o nome, a candidata do PSOL à Presidência da República, Heloísa Helena, reagiu ao ser questionada por que até o momento não apresentou o seu programa de governo. "Não há nenhum candidato que tenha tratado mais de programa de governo do que eu. Nenhum outro candidato tratou sobre meta de crescimento econômico. Eu estou apresentando (programa de governo) todos os dias, inclusive aqui. Se vocês estão simplesmente pedindo documento por escrito, eu mando para vocês ainda hoje, não tem problema", afirmou a candidata, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. "Eu não estou com tempo de fazer solenidade", justificou Heloísa Helena pela falta de programa de governo.InflaçãoA senadora disse que tem "absoluta convicção" de que a reposição salarial mensal da inflação, como defende o seu partido, não comprometerá a economia com a volta da inflação. "Claro que eu defendo a estabilidade da moeda, óbvio. Nós nos comprometemos, inclusive, com a meta da inflação", afirmou a candidata."Eu tenho dito várias vezes que é impossível que haja isoladamente no Brasil um surto inflacionário. Não haverá. Não haverá com a redução da taxa de juros, não haverá com a nova meta de crescimento econômico que nós defendemos, porque nunca na história do Brasil, nem na história da humanidade aconteceu um surto inflacionário isoladamente em um país", afirmou a candidata."Então nós nos comprometemos com a estabilidade monetária, com a meta que está hoje definida. Agora, nós defendemos alteração da política econômica. Portanto, nova meta do crescimento econômico, para 7%, a redução da taxa de juros e não haverá retorno da inflação e fuga de capitais", concluiu Heloísa Helena.Fuga de capitalA senadora disse que tem fundamentos para declarar que em seu governo não haverá aumento de inflação e fuga de capital. "Qualquer economista sério, que não vendeu seus neurônios às estruturas de poder, que analisa a inflação em qualquer lugar do mundo, vê que é impossível haver um surto inflacionário em um único país. Isso é fato", afirmou."Em relação à fuga de capitais é fato: a legislação em vigor no País, o Banco Central tem todo instrumental técnico, legal, dentro da ordem jurídica vigente para impedir fuga de capitais. Isso não tem nada a ver com câmbio. Até porque nós defendemos câmbio monitorado, não câmbio fixo", afirmou.Para a candidata, a única alternativa de aumentar os gastos públicos, para dinamizar a economia, é reduzir a taxa de juros, sem que isso represente risco de aumento da inflação. "Não há risco de inflação no Brasil. No meu governo não haverá. As regras do mercado estabelecem isso. Qualquer estrutura capitalista estabelece isso. Não vamos fazer o terrorismo da volta da inflação, porque não haverá", afirmou. Não há nenhuma lógica, não há racionalidade no debate de redução da taxa de juros e aumento da inflação. Não há".Dois discursosHeloísa se irritou, também, ao ser perguntada se tinha dois discursos ao tratar da agropecuária. Isto porque em encontro com grandes agricultores teria dito que não representava riscos, mas ao mesmo tempo, para os pequenos, defende a agricultura familiar. "Eu não sou mulher de dois discursos, jornalista. Não sou".Para Heloísa Helena, a agropecuária brasileira tem que estar voltada para a demanda interna do Brasil e para nichos comerciais internacionais, para garantir o equilíbrio da balança comercial. "Eu vou incentivar a agricultura brasileira. Aqueles que querem produzir no Brasil, seja um assentado, seja agricultura familiar ou grande produtor terá zoneamento agrícola, crédito, assistência técnica, indústria agropecuária para agregar valor na sua mercadoria, as proteções que serão necessárias diante de questões internacionais gravíssimas. O meu compromisso com a agricultura brasileira é absolutamente claro, tenha certeza disso", garantiu. GovernabilidadeHeloísa prometeu uma governabilidade compartilhada com toda a sociedade, inclusive na elaboração do orçamento. "Governabilidade haverá", garantiu a candidata."Eu quero o meu Congresso (Congresso Nacional) como manda a constituição do meu país: independente, fiscalizador. Não vou querer um Congresso Nacional na surdina, nos subterrâneos, nos esgotos da política, onde a presidência da República se reúne com liderança partidária para distribuir cargos, prestígio e poder. Será uma relação pactuada. Eu irei quantas vezes necessário for ao Congresso Nacional, de forma transparente, democrática, respeitando a Constituição. Eu não acredito no fatalismo de que só tem um jeito de garantir a governabilidade que é trocando cargos, prestígio e poder, que gera mensaleiro e sanguessuga e outros delinqüentes da política que apavoram o povo brasileiro.PrevidênciaA senadora disse que quem mais foi prejudicado com a reforma da Previdência Social no governo Lula foram os servidores públicos que ganham um salário mínimo, com a alteração da faixa etária. "(a reforma) Impôs a uma trabalhadora da educação, que ganha um salário mínimo num município do interior, a ter que trabalhar oito anos de serviço a mais para não perder 35% do seu salário. Quem ganha mais é problema do teto. Não tem reforma da previdência que resolva. Quem ganha mais é meia dúzia. A situação dos trabalhadores no serviço público não é verdade esse discurso de marajás", afirmou.Perguntada se é contra o fim desses privilégios para os servidores que ganham mais, Heloísa Helena disse que é favorável ao fim dos privilégios dos políticos corruptos, dos especuladores dos banqueiros e dos servidores que não trabalham porque estão apadrinhados por algum político.Nos trinta segundos finais de entrevista, Heloísa Helena agradeceu ao povo brasileiro pelo apoio. "Tenha certeza, as mulheres e homens de bem e de paz neste país, que não perderam a vergonha na cara e o amor no coração, que eu estou de consciência tranqüila, fiz o bom combate, defendo o meu país, a minha pátria e espero ser parte da construção, estando na Presidência da República, de uma pátria justa, ética, soberana, igualitária e fraterna".

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