Heloísa só respeita o passado de Lula e diz que não volta ao PT

A candidata do PSOL à Presidência da República, senadora Heloísa Helena, disse nesta sexta-feira, 25, que respeita o passado, mas não o presente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela disse também que não volta ao Partido dos Trabalhadores.Durante participação em sabatina com presidenciáveis, promovida pelo Grupo Estado, ela deu a entender que Lula teria esquecido seu passado pobre e disse que o presidente serve os mais ricos atualmente."Eu respeito o passado do presidente, eu respeito a sua infância. Agora, eu não respeito seu presente", comentou Heloísa Helena. "O presidente da República nasceu numa família pobre, teve o tempo todo para dialogar com a população pobre e o seu governo serve aos mais ricos, ao capital financeiro, aos corruptos. Para mim, o mais importante não é a infância que eu tive. O mais importante para mim é que eu passei no Senado da República e não me vendi", criticou.Indagada se poderia ser comparada com o candidato Lula de 1989, quando o petista defendia ideais mais à esquerda que atualmente e foi derrotado por Fernando Collor de Mello, a senadora limitou-se a negar com a frase "Deus me livre", o que provocou muitos risos dos presentes. "Desculpe-me, mas é que eu não consigo dissociar o passado do presente", acrescentou.Sobre a possibilidade de sua candidatura absorver votos de protesto da população contra a situação atual da política brasileira, ela destacou que essa interpretação não representa uma desqualificação de sua campanha. "Pelo contrário, eu fico muito alegre. Se as pessoas interpretam na nossa candidatura a possibilidade de protestar contra esse tipo de política econômica, de inserção subordinada ao capital financeiro ou aos interesses comerciais das grandes nações, a essas expressões de banditismo político de vigarice eleitoral, eu tenho obrigação de me sentir muito feliz", afirmou.Heloísa Helena assegurou que não faria, para conseguir mais votos ou novas alianças, uma nova "Carta ao Povo Brasileiro", distribuída por Lula na campanha de 2002, na qual prometia que não haveria loucuras na política econômica do País, em um momento de grande temor do mercado financeiro, em que o dólar e o risco Brasil disparavam com a incerteza de uma eleição do atual presidente. "Em relação à Carta ao Povo Brasileiro, que, de fato era ´Carta aos Banqueiros´ e ficou conhecida como Carta ao Povo Brasileiro, esse tipo de concessão não haverá", garantiu.Indagada sobre o que pensava sobre um eventual voto em seu nome ou apoio de adversários políticos, como o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB), a senadora defendeu a escolha democrática do povo, mas ressaltou que nunca encontrou com o peemedebista. "Eu não posso dizer que tem apoio de ninguém. Se quer votar em mim e eu nunca encontrei, então não tem apoio", explicou.Partido dos TrabalhadoresA candidata do PSOL negou que possa voltar, um dia, a fazer parte novamente dos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT). Ela descartou a hipótese, mesmo levando em conta que seu partido possa não atingir a cláusula de barreira exigida pela legislação nessas eleições. "É ruim, hein?", respondeu ao ser questionada um possível retorno ao PT.Ainda na sabatina, Heloisa Helena reagiu com uma típica expressão nordestina ao ser informada sobre a versão que circula nos bastidores de algumas campanhas políticas de que o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, não está indo a debates nessas eleições com medo dela."Oxente, é?", disse surpresa, provocando gargalhadas na platéia. Segundo o dicionário Aurélio, "oxente" é uma expressão que exprime espanto, surpresa ou desdém

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