Herdeiros desprendidos ajudam a compor acervos

Funcionários de museus são surpreendidos com peças valiosíssimas, como as que chegam a Petrópolis

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

Há mais que fotografias e objetos que pertenceram a d. Pedro II e sua família no acervo do Museu Imperial, em Petrópolis. Da mesma forma, o Museu Histórico Nacional precisa de muito mais do que seus armamentos de guerra. Como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu de Arte Moderna (MAM) e o da República, essas instituições contam com a boa-vontade de colecionadores e de seus herdeiros para se manterem em constante atualização. A generosidade e o desprendimento dos doadores, que se desfazem de peças por vezes valiosíssimas, não raro surpreendem os funcionários. Há alguns anos, um embaixador aposentado, descendente de uma viscondessa, chegou ao Museu Imperial para lá deixar as joias de uma tia. Quando Mauricio Vicente Ferreira, então chefe da museologia (hoje diretor), foi checar do que se tratava, se deparou com uma coleção de peças de pedras preciosas de alto valor histórico e artístico. "Ele havia herdado todas as joias da família e chegou com mais de 50 numa sacolinha", conta Ferreira, que, no ano passado, recebeu também abotoaduras, uma chapeleira, sapatos e formas antigas. Outra doadora especial é Maria Lúcia David de Sanson, guardiã de coleções dos avós, bisavós, do pai e do sogro. Em sua casa, no Humaitá, zona sul do Rio, ela tem muitos itens do século 19. Ao Museu Imperial, cedeu leques em marfim e ouro, além de 1,3 mil imagens em vidro para serem observadas num verascópio (aparelho que dá a impressão de que elas são tridimensionais), pertencente ao avô de seu marido. Com livros e copos brasonados, ajudou o Museu do Imigrante em Fafe, Portugal, origem de seu bisavô. "A gente, que teve oportunidade de ser letrado há seis gerações, tem de contribuir. É um prazer saber, por exemplo, que os leques, em vez de estarem aqui, jogados na gaveta, estão sendo preservados. A cultura precisa circular", acredita. Em breve, Maria Lúcia vai doar ao museu de Petrópolis 400 fotos de ancestrais feitas na segunda metade do século 19 no Brasil e na Europa.

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