Hernandes e Kaká lançam pedra fundamental de igreja

Até fim de 2010, líderes pretendem reconstruir templo; teto desabou em janeiro e 9 mulheres morreram

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

Até o fim de 2010, a Igreja Renascer em Cristo pretende reconstruir sua sede internacional no bairro do Cambuci, na região central da capital. O teto da igreja desabou em 18 de janeiro deixando nove mortos e centenas de feridos. O anúncio foi feito pelo fundado da Igreja, Estevam Hernandes, durante evento na manhã de ontem que reuniu cerca de mil pessoas, segundo a Assessoria de Imprensa da Renascer. "Nós próximos dias, teremos tratores e máquinas aqui pelo terreno. Vamos reconstruir a igreja e enterrar a cabeça do Gigante", disse. Hernandes colocou a pedra fundamental para a reconstrução da igreja. Sônia Hernandes, também fundadora da Igreja, e o jogador de futebol Kaká, usando capacetes de proteção, também participaram.

A celebração ocorreu em meio às paredes do templo que resistiram ao desabamento. A maioria do público assistiu ao evento ao ar livre sob forte calor. A única parte coberta era o palco, de cujo teto caíam pequenas lascas de alvenaria por conta do impacto do barulho da banda e do vozerio da multidão. O teto também apresentava sinais aparentes de infiltração com goteiras provocadas pela chuva do dia anterior.

Hernandes lembrou de quando comprou o terreno, que abrigava um antigo cinema, o Riviera. "Vendi um apartamento. E, por um milagre, conseguimos comprar o terreno", disse. A multidão, composta em sua maioria por jovens, mas com a presença de muitas crianças, gritava entusiasmada "ôôôo, Renascer até morrer."

As vias no entorno do local ficaram cheias de gente. Na entrada do cerimônia, na Rua Robertson, pessoas vendiam camisetas com diversas estampas, a maioria sobre a reconstrução da sede. Uma das estampas trazia o logo de uma rede de TV, com a frase "Sorria, você está sendo manipulado." No fim do evento, alguns membros da igreja tentaram virar o carro de reportagem da emissora na Avenida Lins de Vasconcelos.

O alvará definitivo para a reconstrução na nova sede da Igreja Renascer foi aprovado no dia 15 de agosto. A igreja será reconstruída igual àquela que desabou. A Igreja não divulgou estimativa de valor do projeto, mas disse que o dinheiro virá da doação dos fiéis e de eventos. O projeto é do arquiteto José Lucena, que estava no evento.

Essa foi a primeira aparição pública de Estevam e Sônia desde o retorno deles dos Estados Unidos, onde foram condenados por conspiração e contrabando, em agosto de 2007. Eles retornaram 15 dias antes do término do cumprimento da liberdade condicional, para cuidar do filho, o Bispo Tide, de 30 anos, que está internado por conta de uma cirurgia corretiva no estômago.

SEQUELAS

A advogada Gleice Raquel Valente Mendoza atende três parentes de vítimas do desabamento do teto da Renascer: Elaine Brito, que perdeu a filha Gabriela, de 14 anos; Carmelita Silva, cuja irmã, Luiza, de 62, morreu; e Olga Donoso, que fraturou o tornozelo. "A decisão do juiz deve sair no fim de 2010. Se o advogado da Igreja recorrer, o processo pode demorar mais cinco anos", explica.

Além dos mortos e feridos, o desabamento atingiu oito casas em uma vila na Rua Robertson. Por causa do risco de queda de outras paredes, elas foram interditadas na época. A edícula dos fundos da casa do aposentado Marassoré Morégola, de 67 anos, no entanto, continua interditada. "Ainda estou aguardando a liberação do juiz para limpar a área. Contratei um engenheiro que disse que a edícula está comprometida", diz. "Acredito que a Igreja deveria prestar assistência a quem foi prejudicado, para depois pensar em reconstruir o templo", diz ele, que entrou com ação indenizatória por danos materiais.

O laudo elaborado pela Polícia Técnico Científica apontou falha de manutenção na estrutura do imóvel. Das 14 tesouras de madeira que sustentavam o telhado, apenas uma, justamente a que ficava em cima do altar, não havia recebido reforço metálico durante a reforma da igreja, realizada entre 1999 e 2000.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.