Herói do fim de semana pede socorro para lidar com assédio

Quando o analista de sistemas Adriano Levandoski de Miranda, de 27 anos, levantou da cama na segunda-feira, às 7h30, havia no celular 107 ligações não atendidas. Era um indício do que seria seu dia. No sábado, ele salvou a vida de uma criança de 3 anos, que se afogava nas águas do Rio Pinheiros. O menino caiu com a mãe, Janaína Barbosa de Souza, de 26 anos, que se atirou da Ponte João Dias no momento em que o analista de sistemas passava a pé, a caminho do trabalho, no Credicard Hall. Mãe e filho estão internados no Hospital Regional Sul, sob escolta policial.Casado com a cabeleireira Juliana, de 19 anos, e pai de Matheus, também de 3 anos, Miranda não soube como lidar com o assédio da imprensa. Ele estava no Rio, onde havia passado a madrugada ajudando a desmontar a estrutura do Cirque du Soleil até as 5 horas. Dormiu pouco mais de duas horas e passou a manhã toda atendendo telefonemas da imprensa.?Não podia desligar meu telefone porque era da empresa. Mas não dá. Não fiz nada assim de tão diferente?, reclamou Miranda, cansado de tanto assédio. Na hora do almoço, ele pegou a ponte aérea para São Paulo. Assim que desembarcou no Aeroporto de Congonhas, teve de enfrentar uma recepção digna de celebridade, com muitos flashes e luzes das câmeras de TV. ?Vocês têm de me desculpar, mas preciso fazer um relatório para a minha empresa. Não posso ficar aqui perdendo tanto tempo?, disse Miranda. Mesmo um pouco relutante, ele pegou carona com a equipe de uma emissora de TV para o trabalho. Chegando lá, o chefe lhe deu o dia de folga, mas Miranda não conseguiu sair da empresa. Novamente, viu-se cercado por jornalistas.No Embu, onde Miranda mora, Juliana passou o dia atendendo a visitas inesperadas. Amigos, parentes e até vizinhos apareceram querendo cumprimentar o marido. ?Agora ele é um herói?, disse a mulher, orgulhosa. ?Não é a primeira vez que Adriano faz isso. Outro dia, deu carona para um mendigo que estava andando na rua cheio de sacolas.? Miranda não voltou para casa ontem. Combinou com a mulher de encontrá-la em um hotel. ?Preciso descansar. Tenho de trabalhar amanhã (nesta terça-feira).?

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