Hezbollah pode ter matado casal em São Paulo

O empresário libanês Mkhael Youssef Nassar, de 39 anos, que atuava no ramo da construção civil, e a mulher dele, Marie Noel Nassar, de 29, foram assassinados anteontem à noite em um posto de gasolina no Itaim-Bibi, na zona sul da capital. Eles foram atingidos quando trocavam o pneu traseiro direito de sua picape Pajero, que havia furado ao passarem por uma armadilha feita com pregos, no fim do túnel da Avenida Juscelino Kubitschek. A morte de Nassar foi tramada por extremistas da organização libanesa Hezbollah, de acordo com notícia publicada no site da entidade Fundação Libanesa pela Paz.Segundo a fundação, Nassar fornecia armas para o Exército do Sul do Líbano (SLA, na sigla em inglês). O empresário é sobrinho do general Antoine Lah?d, líder do SLA, milícia cristã que auxiliou o Exército de Israel durante a ocupação do sul do país. Nassar também trabalhou com Elie Hobaica, um dos chefes das forças cristãs da guerra civil no país (1975-90). Hobaica foi assassinado há um mês e meio no Líbano por meio de uma bomba colocada em seu carro. Ele era testemunha-chave contra o primeiro-minsitro de Israel Ariel Sharon num processo, aberto na Bélgica, em que o premiê é apontado como um dos responsáveis pelos massacres nos campos de refugiados dos palestinos de Sabra e Chatila, ocorridos em 1982.O crimeA polícia revelou que depois de passar pela armadilha de pregos, o empresário ligou pelo telefone celular para um de seus funcionários ao perceber que o pneu estava danificado. Foi orientado a só parar para trocar o pneu quando chegasse a um posto bastante iluminado, o que ocorreu na esquina entre as Avenidas Juscelino Kubitschek e Brigadeiro Faria Lima. Minutos depois, o funcionário do libanês - que seria motorista da família - ligou para o patrão para saber se os doi s estavam bem. A mulher de Nassar atendeu e disse que tudo transcorria sem problemas, apesar do episódio que eles pensaram ser uma tentativa de assalto ou seqüestro. Após alguns instantes de conversa, no entanto, Marie ficou calada. Em seguida, o funcionário ouviu o som de vários disparos. De acordo com informações do delegado-assistente do 15.º Distrito Policial (Itaim-Bibi), Hamilton Rocha Benfica, o assassino estava escondido atrás de um vaso de planta. O criminoso teria saído em direção ao carro, caminhando a passos largos, e atingido o empresário. Depois, acertou Marie. Voltou então a disparar contra Nassar, que foi baleado quatro vezes na cabeça. A mulher do empresário levou sete tiros, entre o peito e a cabeça. Policiais militares do 23.º Batalhão foram chamados ao local e encontraram o casal ainda com vida, do lado da Pajero prata do empresário. Nassar e Marie morreram a caminho do Hospital São Paulo, na Vila Mariana, também na zona sul. Os corpos foram levados para a unidade central do Instituto Médico-Legal (IML). Segundo Benfica, o assassino estava com o rosto escondido por uma máscara e usava uma pistola 7.65. Ele fugiu em um Gol cinza-chumbo. Silenciador Por enquanto, a polícia descarta as hipóteses de tentativa de roubo ou seqüestro. "O criminoso usava uma arma com silenciador, o que não é normal nesses tipos de ações." De acordo com o delegado, esse equipamento é comumente utilizado para realizar execuções. A polícia prefere não dar muitos detalhes sobre o caso, para não atrapalhar as investigações. O delegado-assistente afirmou, no entanto, que a Pajero passou por perícia no posto e o funcionário do empresário - com o qual ele se comunicou minutos antes de morrer - foi ouvido ontem. Benfica disse que outras pessoas devem prestar depoimento nos próximos dias. O delegado Alexandre Sayão, titular do 15.º DP, conversou ontem com um cunhado de Nassar. O parente afirmou acreditar que o crime seja decorrente dos negócios do empresário no Líbano. De acordo com o cunhado, o patrimônio da família é avaliado em US$ 200 milhões. Ainda não se sabe se o assassino tem alguma ligação com a tábua de madeira com pregos deixada na saída do túnel. A polícia espera conseguir com o posto uma fita de vídeo, que poderia ajudar na identificação do criminoso.

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