Hillary evita apoiar pleito do Brasil na ONU

Secretária de Estado dos EUA encoraja País a lutar por vaga no Conselho de Segurança, mas não oficializa respaldo americano à ambição brasileira

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ao lado do chanceler Antônio Patriota, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, encorajou o Brasil a continuar seus esforços para integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) como membro pleno no futuro. Mas não deixou escapar nenhum sinal de apoio de seu país ao pleito brasileiro. A declaração da secretária antecipou a provável resposta do presidente Barack Obama, que fará sua primeira visita ao Brasil nos dias 19 e 20 de março.

"Nós admiramos muito o papel do Brasil como líder global e sua aspiração de ser membro permanente do Conselho de Segurança", afirmou a secretária. " Esperamos manter um diálogo construtivo com o Brasil sobre a reforma do Conselho", afirmou Hillary, ao ser questionada pela imprensa se as posições brasileiras sobre o programa nuclear iraniano no ano passado ainda seriam um obstáculo a esse pleito. "Acreditamos que há muitas áreas multilaterais nas quais o Brasil pode demonstrar sua liderança e damos apoio a esses esforços."

Outro compromisso. Hillary não esperou a resposta de Patriota, sob o pretexto de estar atrasada para uma reunião com o presidente Barack Obama. Seus assessores, entretanto, anotaram a discreta cobrança do chanceler brasileiro sobre a promessa feita pelo presidente americano em Nova Délhi, em 2009, de engajar seu governo na reforma do Conselho de Segurança.

Patriota insistiu que o governo brasileiro pretende contribuir com a solução de questões desestabilizadoras da ordem mundial, como a do Irã. "Na medida em que há um apreço ao trabalho que o Brasil vem fazendo no Conselho de Segurança, estamos muito bem posicionados aqui nos Estados Unidos", afirmou o ministro.

O país já demonstrou apoio explícito à ascensão do Japão e da Índia à posição de membros plenos do Conselho. O antigo suporte à Alemanha nunca foi reiterado por Obama. Ao Brasil, o apoio em curto prazo tornou-se inviável desde o voto contrário do País às sanções adicionais do Conselho de Segurança ao Irã, em junho passado.

Hillary Clinton destacou que o governo brasileiro obedeceu à decisão final e aplicou a nova retaliação. A secretária avaliou, no entanto, que para o governo americano a atitude não é suficiente, já que não permite uma visão clara do comportamento do Brasil como membro pleno do órgão mais relevante na área de segurança mundial.

REFORMA PARADA

Clube restrito

Os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU são Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido

Poderes

Membros permanentes do Conselho têm poder de veto sobre todas as deliberações do órgão

Lobby

As transformações geopolíticas das últimas décadas levaram a ONU a discutir a ampliação do conselho. Brasil, Japão, Alemanha e Índia reivindicam assentos permanentes, mas enfrentam a oposição de vizinhos e das grandes potências

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