História e tecnologia macam o desfile do Salgueiro

O toque de futurismo, marca registrada do carnavalesco Renato Lage desde os tempos dos carnavais inovadores da Mocidade Independente de Padre Miguel, foi o destaque do desfile do Salgueiro. Desde a comissão de frente, que misturou marajás e guerreiros da Índia, ao último carro, que reproduziu um circuito de Fórmula 1, a escola misturou história e tecnologia, tão ao gosto do carnavalesco. "Esse desfile teve a minha cara, a minha assinatura", atestou Lage.A comissão de frente foi uma sensação à parte. Coreografada pelo primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio, Marcelo Misailidis, ela encantou o público ao montar o escudo do Salgueiro e ao fazer surgir, com um manto, leques e bambus, um elefante no meio da pista, montado por uma indiana.Mas, apesar do esmero, um deslize - literalmente - pode comprometer a nota da apresentação: um componente escorregou e caiu durante a exibição, bem em frente à comissão julgadora. "Em qualquer trabalho artístico tem-se que diferenciar o que é falha do que é acidente. O que aconteceu não afetou a apresentação", comentou Misaidilis, ao final do desfile. Afora esse contratempo, o Salgueiro fez um desfile sem falhas e com muita criatividade. Fantasias bem trabalhadas, carros alegóricos impecáveis e componentes cantando o samba, marcado por palmas que, no entanto, não chegou a empolgar a ponto de ser acompanhado das arquibancadas. Dercy Gonçalves, como de costume, fez do escracho sua marca. Sentada num automóvel no carro alegórico "Tempos Modernos", ela puxava o vestido e abria as pernas para o público. Antes do desfile, alguém lhe perguntou se estava emocionada. "Emoção p... nenhuma! Aos 97 anos não tenho nem tesão, quanto mais emoção", disse a comediante, que foi eleita a "musa das musas" da escola, que trouxe uma passista de destaque à frente de cada carro alegórico. Outra musa da vermelho e branco sambou até suar durante a passagem da bateria de mestre Jonas, só que sem fantasia: Luana Piovani, que este ano não ocupou o cargo de madrinha dos ritmistas, sob a alegação oficial de que estaria gravando em São Paulo, acompanhou como foliã o Salgueiro. Com um colete de imprensa e minissaia jeans, ela aceitou o convite de um gari e sambou no meio da pista, depois que a escola passou. À frente da bateria, Ana Cláudia Simões, namorada do bicheiro Maninho, patrono da escola.Leia abaixo a cobertura dos desfiles no Rio de Janeiro 1º DIA   Unidos da Tijuca festeja a criatividade dos cientistas    Caprichosos homenageia Xuxa, mas não empolga    São Clemente abre desfile com críticas políticas e sociais 

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