Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Hoje há muitos órfãos de pais vivos', diz pai de vítima de ataque em Goiás

Velórios de adolescentes mortos por atirador no Colégio Goyases, em Goiânia, acontecem na manhã deste sábado, 21

Breno Pires e Sarah Teófilo, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2017 | 09h43

GOIÂNIA - Algumas dezenas de pessoas compareceram ao velório de João Pedro Calembo, de 13 anos, uma das vítimas de um atirador no Colégio Goyases, em Goiânia. A vigília, no Parque Memorial, começou às 23 horas da sexta-feira, 20, e continuou até o enterro, marcado para as 10 horas deste sábado, 21. No velório de João Vitor Gomes, de 13 anos, outra vítima, colegas disseram que o atirador e o adolescente eram amigos. 

Familiares vieram de Belo Horizonte e de Brasília para despedir-se de João Pedro. Os dois irmãos do garoto, de 6 e 8 anos, e a mãe, Bárbara, ficaram a maior parte do tempo ao lado do caixão. O pai, Leonardo Calembo, que se dispôs a falar em nome da família, declarou que é preciso atentar para a ausência da família na educação dos filhos. "Hoje em dia há muitos órfãos de pais vivos", disse, enfatizando o papel da paternidade, na tentativa de apontar alguma lição em meio à tragédia.

Leonardo afirmou que costumava acompanhar o cotidiano do filho, comparecia às reuniões da escola e às competições de astronomia do garoto. "O Brasil precisa de pais e mães. Nossos presídios estão cheios de jovens que não tiveram educação em casa. Crianças que sem referências só pensam no eu e não no outro", disse.

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Ao Estado, ele  negou que o João Pedro fosse desafeto do autor dos disparos. Além disso, comentou que o filho era tranquilo e fazia missões pela igreja.  Outros familiares apontaram qualidades, como doçura, gentileza e a educação. "Ele era um amor. Minha avó é era louca por ele. Quando ele ia visitá-la, ele falava que amava o cheiro da casa e pedia cafuné", conta o tio Marcos Freitas, de 26 anos, que veio de carro de Belo Horizonte. O familiar faz referência, ainda, a uma bisavó de João Pedro. "A minha avó estava feliz porque o meu avô passou por uma cirurgia com sucesso, mas isso estragou tudo", disse.

Outro velório. Segundo dois estudantes, João Vitor Gomes, de 13 anos, era amigo do autor do atentado. "Ele agia normal. Não fazia nada que parecesse que fosse matar", conta um estudante de 14 anos. O corpo do garoto foi velado no Cemitério Jardim das Palmeira. O enterro estava marcado para às 11 horas deste sábado, 21.

Já outro aluno relata que o adolescente não aparentava ter raiva de ninguém e que o apelido de "fedido" teria sido imposto contra ele há pouco tempo.  De acordo com ele, João Pedro Calembo, levou um desodorante para a sala de aula na sexta-feira, 20."O João jogou um desodorante nele. Aí o atirador xingou o João Pedro. Achei que tinha passado, que ele não ia ligar", comenta.

Já a mãe de um dos estudantes afirma que João Vitor era muito educado e tinha pais extremamente protetores. "Eles tinham muito cuidado com ele. E aí acontece uma coisa dessa na escola", declara.

Nazismo e satanismo. Segundo outro adolescente, o autor do crime idolatrava Adolf Hitler. "Um dia ele veio fantasiado de Hitler, ano passado. Era uma atividade de entrevista na escola", disse. Ele conta que o estudante chegou a levar um livro satanista para a escola e ler em voz alta. A versão é a mesma de outras duas adolescentes que também estudavam na mesma sala de 8°ano.

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