Homem acusado de manter menina em cárcere privado é preso

Menina, hoje com 19 anos, diz que teve dois filhos durante o período em que ficou presa, em Luziânia

Rubens Santos, Especial para O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2008 | 18h47

A Polícia de Goiás prendeu, nesta sexta-feira, 15, o comerciante Raimundo Gomes da Silva, de 61 anos de idade, acusado de estuprar e manter em cárcere privado, durante seis anos, uma menina na cidade de Luziânia (GO). Segundo a Policia, Raimundo foi localizado numa rodovia (GO-010), a 60 quilômetros de distância de Luziânia, dentro de um ônibus com destino a São Paulo.  Ele garantiu às autoridades que "não estava fugindo". E teria a pretensão de se entregar á Policia quando foi pego. Na delegacia, negou todas as acusações feitas pela menina, que está sendo chamada por Mara. A denúncia de estupro e cárcere privado foi feita à polícia na semana passada por Mara, hoje com 19 anos de idade. De acordo com ela, o comerciante a estuprou pela primeira vez quando tinha 10 anos e pedia comida nas ruas para sua família - mãe, duas irmãs e pai.  Após engravidar, e a partir dos 13 anos de idade, foi mantida em cárcere num porão do bar, e seguidamente estuprada e espancada. Escapou, segundo relatou, após troca de tiros entre o comerciante e bêbados. A delegada da Mulher em Luziânia, Dilamar de Souza, revelou que no local do suposto cativeiro foram encontradas fotos da menina nua. Mara, que tem marcas pelo corpo, teve dois filhos durante o cativeiro - uma menina e um menino. Este último teria sido morto pelo comerciante, há dois anos, e dias após o parto. Agora a policia faz levantamentos periciais em busca de vestígios do bebê, e no corpo da jovem que mostrou marcas de violência. O mais estranho do caso, segundo a delegada Dilamar, é que o comerciante mantém, num lote ao lado, mulher e filhos que garantiram à policia desconhecer o caso e jamais perceberam "algo estranho" com Raimundo e o bar.

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