Homem atacou imagem de Aparecida e diz não se arrepender

O evangélico Francisco Leandro da Silva Filho, de 39 anos, afirmou hoje, em entrevista à AE, que não se arrepende de ter jogado latas contra a imagem de Nossa Senhora Aparecida na segunda-feira."Eu sou de paz, mas ontem fiquei nervoso porque os seguranças não me deixaram falar com o padre. Eu não tenho nada contra Nossa Senhora. Sou contra adoração. Para mim adoração é só para Jesus", afirmou. Silva não revelou o que iria dizer ao padre. "Agora que adivinhem. Eu não falo mais e não volto mais lá". Freqüentador da Igreja Batista, em Taubaté, ele afirmou que jogou as latas contra a imagem por vontade própria. "Ninguém me mandou jogar nada não. Eles (a Igreja) e minha mulher nem sabiam que eu estava lá". Depois de tentar agredir a imagem da Padroeira do Brasil Silva foi levado à delegacia e indiciado por crime contra o sentimento religioso.O evangélico foi liberado depois que se comprometeu a comparecer a uma audiência no fórum de Aparecida, marcada para o dia 19 de maio. "Eu assinei um monte de papel lá, mas não vou a lugar nenhum. Se eu fiz algo errado, que venham me buscar em casa", argumentou o ex-metalúrgico. Em Aparecida a segurança que normalmente é mantida em todo Santuário Nacional permanece a mesma, apesar doincidente, que segundo a direção do Santuário Nacional, não prejudicou a imagem da Padroeira do Brasil.O Departamento de Segurança da Basílica mantém em segredo quantos homens fazem a segurança da santa e também doSantuário Nacional que por ano recebe cerca de sete milhões de romeiros. O incidente aconteceu seis meses depois que o novo altar foi inaugurado. A santa original - a mesma achada pelos pescadores no rio Paraíba do Sul em outubro de 1717- é protegida por um vidro blindado de dois centímetros e fica a pelo menos 11 metros de altura, em um trono "protegido a sete chaves", segundo o assessor de imprensa, José Expedito da Silva. No centro do altar, uma placa giratória permite recolher a imagem para a Capela dos Apóstolos, espaço reservado apenas para os padres da Basílica. Uma vez por ano a santa é retirada do lugar onde fica para manutenção. Depois de ter sido jogada ao chão durante um atentado em 1978 - e se quebrado em 165 fragmentos - a imagem foi totalmente restaurada pelas mãos da artista plástica Maria Helena Chartuni, também responsável pelos cuidados com a imagem feitos todos os anos. De acordo com o administrador do Santuário, padre Darci Niciolli, a imagem não tem seguro, já que é um bem afetivo dos brasileiros, um bem de valor inestimável. A imagem tem 40 cm de altura e segundo especialistas foi feita em terracota - um tipo de argila modelada e queimada em forno - pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus.

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