Homem atira em delegado e se suicida em Campinas

O borracheiro Severino Manoel dos Santos, de 30 anos, atirou contra a cabeça do delegado titular do 8º Distrito Policial de Campinas, Talmir Russo Boavista, de 61 anos, e se matou em seguida. O atentado seguido de suicídio ocorreu na recepção do Distrito, na Vila Padre Anchieta, onde o borracheiro morava. Boavista foi levado para o Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde permanece em estado grave.Segundo os policiais que estavam na delegacia, Santos esteve no local por volta das 9h30 para dizer que pretendia entregar uma arma à polícia. Ele contou que havia brigado com a mulher e temia cometer algum desatino com a arma ao alcance das mãos. Os policiais o orientaram a deixar o revólver com a polícia e ele disse que iria buscá-lo. Quase três horas mais tarde, por volta das 12h20, o borracheiro invadiu o Distrito com a arma em punho e atirou contra a nuca do delegado, que estava de costas para a porta, dando uma entrevista a uma emissora local de televisão. Em seguida, atirou contra a própria cabeça. Boavista foi socorrido pelos próprios policiais e levado ao Hospital das Clínicas. Santos morreu no local e seu corpo permaneceu na delegacia até o meio da tarde, depois que a perícia técnica concluiu seu trabalho de coleta de material.De acordo com o delegado que assumiu o 8º DP temporariamente, Ricardo de Lima, o tiro entrou pela nuca de Boavista e saiu pela testa. A assessoria de imprensa do Hospital informou que ele passou pelo Centro Cirúrgico e, por volta das 17h, foi para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em estado muito grave. No final da tarde, Lima solicitou que fossem feitos exames toxicológicos e de dosagem alcoólica no borracheiro, pois ele poderia estar sob efeito de alguma substância química. O delegado afirmou que os policiais e Boavista não conheciam Santos até ele surgir na delegacia pela primeira vez. "Não havia motivos para o crime, ele não falou com ninguém e nem viu o rosto do delegado, que estava de costas quando ele invadiu o distrito com a arma. A única coisa que sabemos é que ele estava muito perturbado", disse Lima. O revólver, calibre 38, foi apreendido para investigação. Santos não tinha porte de arma e o revólver não está em seu nome. Ele também não tinha passagem pela polícia. À tarde, a mulher do borracheiro esteve no local, mas não depôs. Ela será ouvida no Setor de Homicídios, para onde a ocorrência foi encaminhada. Boavista atua na Polícia Civil há 35 anos, sempre na região de Campinas. Trabalhou também nas cidades de Paulínia, Cosmópolis e Sumaré. Foi transferido para o 8º Distrito Policial de Campinas há quatro anos e, segundo Lima, nunca teve nenhum problema com os moradores do bairro. Hoje um jornal da cidade publicou uma reportagem com o delegado, em que ele afirmava que os traficantes da região estavam recrutando mulheres e adolescentes para trabalharem como vendedores de drogas. Ele contou que 11 mulheres e adolescentes haviam sido presas, em 41 dias, com pequenas quantidades de cocaína, maconha e crack.

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