Homem é detido ao descer de rapel da Ponte Rio-Niterói

Sargento do Exército protestava contra a 'situação' dos militares e ficou suspenso no ar a 35 metros da superfície da água, até ser salvo por policiais rodoviários

Sergio Torres e Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2013 | 11h55

RIO - O sargento Vinicius Feliciano Machado decidiu protestar contra "a situação" dos militares do Exército saltando do vão central da ponte Rio-Niterói, ao amanhecer de terça-feira, 27, amarrado a uma corda. Planejava descer no mar em rapel. Só que levou uma corda curta. Ficou suspenso no ar a 35 metros da superfície da água, até ser salvo por policiais rodoviários.

"Nunca tive tanto medo na vida", admitiu ele na delegacia do centro de Niterói (cidade na Região Metropolitana do Rio), a 76ª DP, para onde foi levado, preso em flagrante.

Do vão central à lâmina d'água a distância é de 75 metros. A corda do militar, de 29 anos, não media mais do que 40 metros. Um erro grave, ainda mais porque Machado disse ter levado dois anos planejando o protesto.

"Quando se vai protestar, tem que ser feito algo que cause impacto", afirmou ele, que não quis comentar as causas do fracasso, mas assegurou ter avaliado os riscos e feito "alguns ensaios", como forma de reclamar dos salários pagos pelas Forças Armadas.

Machado chegou ao vão central às 6h15, assim que o dia raiou. Vestia roupa militar camuflada, em tons verdes. Na pista sentido Niterói, desceu do Honda City conduzido pelo amigo Leonardo Costa de Lacerda Azevedo, amarrou a corda à mureta e jogou-se no espaço. Quando viu que não chegaria ao mar, balançando de um lado para o outro, empurrado pela ventania, começou a gritar por socorro.

O resgate demorou quase meia hora, o que provocou um congestionamento ainda maior do que o que geralmente ocorre naquele horário na ponte.

Uma lancha do Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros chegou ao local à espera de uma queda que acabou não ocorrendo. Um helicóptero da Polícia Militar (PM) sobrevoou a área, à espera do desfecho.

Machado foi salvo depois que os patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) conseguiram atirar uma segunda corda, onde ele se agarrou. O militar foi içado e preso assim que pisou de volta na ponte.

Ele e o amigo foram indiciados por exposição de perigo à vida a outrem (artigo 132 do Código Penal), com pena de detenção de três meses a um ano.

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