Homem, pior inimigo das árvores

Ele queima, corta e até perfura plantas com pregos

José Carlos Cafundó, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

Para o médico sanitarista Hélio Neves, diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Prefeitura, as árvores urbanas têm milhares de inimigos. O pior deles, porém, é o homem. O homem mal-educado. "Não temos a cultura de preservação e proteção e, assim, vivemos um caos." Diariamente as subprefeituras recebem milhares de chamados de pessoas que querem apoio oficial para matar uma árvore. Ou, pelo menos, mutilar. Isso sem contar aquelas que matam na calada da noite, por asfixia, por queimadura, por corte parcial ou total. Mata-se por motivo torpe como, por exemplo, a queda de folhas que "sujam". Cerca de 30% dos chamados são pertinentes, mas a grande maioria, não. Num balanço oficial, nota-se que São Paulo tanto planta quanto destrói árvores. Segundo Neves, desde 2005, São Paulo plantou 479,4 mil árvores dentro do Plano Municipal de Arborização. No mesmo período, um número semelhante de pedidos foi registrado para acabar com árvores. Para fazer o verde vencer o cinza, a Secretaria do Meio Ambiente desenvolve um ambicioso plano de plantio e manutenção para que as árvores cheguem à idade adulta e sobrevivam por décadas. O orçamento deste ano é de R$ 6 milhões. Mas, ressalta Hélio Neves, esse valor pode aumentar muito graças à imposição de multas aos que destroem o verde - este ano a fiscalização do setor (Decont) aplicou 109 autuações - uma média de menos de uma multa a cada três dias. Entre as transgressões mais comuns estão ferir árvores com pregos que sustentam placas de publicidade ou lâmpadas de Natal. No ano passado, administradoras de condomínios em Higienópolis , zona oeste, que costumam iluminar parte das árvores do bairro, receberam diversas multas. O valores das autuações começam em R$ 500, mas podem chegar a R$ 500 mil, se o dano atingir árvore rara, adulta, em área de proteção ambiental. Hoje, há um grande número de casos de poda drástica punidos pela fiscalização que estão por volta de R$ 10 mil por árvore.

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